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Mundo BANI: como as lideranças podem se ajustar a esse novo conceito?


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Formatado em 2018 pelo autor futurista e antropólogo norte-americano Jamais Cascio, o mundo BANI pode ser definido como uma atualização e evolução natural do mundo VUCA, conceito que desde 1985 descrevia um cenário de incertezas e mudanças mundiais constantes que servia como norteador de posturas empresariais e tomadas de decisão.


Acrônimo para os termos em inglês Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible, trazendo para o português nos leva às seguintes características que precisam ser trabalhadas: Frágil, Ansioso, Não Linear e Incompreensível.


Ainda que tenha sido configurado antes da chegada da Covid-19, a pandemia do coronavírus impulsionou e tornou mais real e válido o conceito de mundo BANI, visto que todos precisaram se reinventar para se adaptar à nova situação que estava sendo imposta, tanto na vida pessoal quanto na profissional.


No meio corporativo, especificamente, o conceito BANI passou a fazer mais sentido durante e após o período pandêmico mais intenso, exigindo também que lideranças se ajustassem a esse novo mundo, seja pela adoção de novas soft skills, seja pela aplicação de posturas e estratégias atualizadas de relacionamento com os times.


A mudança de VUCA para BANI

Para falarmos sobre como deve ser o papel da liderança no mundo BANI é preciso, antes, fazermos um paralelo de como era no mundo VUCA e de como está agora.


VUCA é o acrônimo das palavras em inglês Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity. Desse modo, é possível chegarmos à seguinte percepção:

  • se antes lidávamos com a volatilidade, agora as estruturas se mostram mais frágeis e passíveis de alterações a qualquer tempo;

  • as incertezas anteriores se tornaram tão grandes no mundo atual que deram margem para ansiedade;

  • conceitos que antes eram tratados como complexos, atualmente são vistos como não lineares, já que, muitas vezes, é impossível prever a sua evolução;

  • o que, no passado, era ambíguo por gerar dúvida sobre ser ou não ser possível, está sendo considerado incompreensível devido às mudanças serem constantes e imprevisíveis.

O papel da liderança no mundo BANI

Seguindo essa linha de raciocínio, entende-se que os (as) líderes atuais precisam adotar posturas, comportamentos e ações que permitam:

  • combater a fragilidade com propósito e resiliência;

  • trabalhar adequadamente a ansiedade dos times com clareza e empatia;

  • enfrentar o que não é linear com adaptação e agilidade;

  • buscar entender o incompreensível com intuição e boa comunicação.


Dica de leitura: “Como praticar a liderança transformacional no ambiente de trabalho?


Propósito e resiliência

Em momentos frágeis, ter um propósito pode ser o combustível necessário para seguir com o planejado. Em outras palavras, ter algo para alcançar pode ser uma boa maneira de continuar mesmo em caminhos incertos.


Aqui estamos falando em, por exemplo, compartilhar e deixar claro para os (as) profissionais quais são os objetivos da empresa e quanto a colaboração de cada um é essencial para chegar a esse resultado — destacando também que essa participação é importante e engrandecedora para o crescimento profissional individual deles (as).


No que se refere à resiliência, entende-se encontrar meios de manter os (as) colaboradores motivados para se engajarem novamente após algum período turbulento ou de resultados negativos para a companhia.


Clareza e empatia

Cenários incertos e em constante mudanças geram ansiedade, e isso atinge tanto líderes quanto liderados. Por conta disso, quem está à frente de um time precisa, inicialmente, desenvolver inteligência emocional, a fim de conseguir controlar adequadamente as próprias emoções, anseios e medos, antes de lidar com os sentimentos dos outros.


Uma vez feito isso, ter empatia pelo momento que a outra pessoa está passando é essencial para direcionar adequadamente a situação e até evitar conflitos desnecessários.


A clareza, nesse momento, se torna essencial, por exemplo, esclarecendo a realidade pela qual a empresa está passando e quais são as perspectivas para o futuro.


Aproveite e leia também: “Qual é o papel da liderança no conceito de segurança psicológica?


Adaptação e agilidade

Algo não linear é aquilo que não tem um sentido único, que pode, facilmente e sem aviso, mudar a sua direção. Trazendo isso para o mundo corporativo, é possível dizer que são processos e/ou projetos que não seguiram a sua ideia inicial, ou o fluxo pretendido.


Quando isso acontece, líderes precisam agir rápido, visualizando todo o contexto e tomando decisões que direcionem adequadamente o seu time para a nova realidade.


Criatividade e visão de longo prazo tendem a ser essenciais em situações desse tipo, além de criar estruturas que facilitem a tomada de decisão ágil, sem processos muito engessados, burocráticos ou difíceis de navegar.


Intuição e boa comunicação

O que não se compreende só pode ser visto de outra forma por meio de uma comunicação corporativa eficaz, o que também ajuda em casos de excesso de informação ou informações contraditórias.


Sobre isso, para se ajustar ao mundo BANI, os líderes precisam descobrir como passar as orientações aos seus (suas) liderados (as) corretamente, de modo que essa transmissão não cause mais ansiedade, medo ou fragilidade.


A intuição — que consiste em perceber, discernir ou pressentir — pode ser uma boa aliada na hora de equilibrar emoção e lógica, direcionado para qual a melhor estratégia a ser utilizada para estabelecer uma boa comunicação, sempre prezando pela transparência e sinceridade.


Mas, é claro, ela só deixa de ser apenas “achismo” se aliada à uma clara noção de sucesso, um bom e frequente acompanhamento de métricas e reajustes de rota, sempre que necessários.


Habilidades esperadas para o futuro

Em complemento a todas essas novas posturas, é interessante citarmos as diretrizes apresentadas no Relatório do Futuro do Emprego do Fórum Econômico Mundial, o qual destacou que, até 2025, 50% dos (as) profissionais precisarão se requalificar e recriar suas habilidades em decorrência do uso mais amplo da tecnologia.


Para quem permanecer na mesma função nos próximos anos, o leque de habilidades essenciais mudará 40% até 2025.


O ranking com as 10 skills prevista no Fórum Econômico Mundial que serão mais buscadas e necessárias em um futuro não tão distante são:

  • pensamento analítico e inovação;

  • aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem;

  • solução de problemas complexos;

  • pensamento crítico e análise;

  • criatividade, originalidade e iniciativa;

  • liderança e influência social;

  • uso de tecnologia, monitoramento e controle;

  • design e programação de tecnologia;

  • resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade;

  • raciocínio, resolução de problemas e ideação.


Com base em tudo o que foi mencionado neste artigo, é possível ver que essas habilidades que acabamos de apresentar estão totalmente alinhadas ao mundo BANI e às adaptações necessárias de posturas e estratégias para se ajustar a essa nova realidade.


O que mais será necessário para as empresas se adequarem a novos cenários como esse? Assine agora mesmo a newsletter do Movile Orbit e receba outros conteúdos que podem ajudar a chegar a essa resposta!


 
Redação | Movile Orbit