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O que são insurtechs, como funcionam e quais os desafios de operação no Brasil?


o que são insurtechs

Uma boa maneira de saber o que são insurtechs é entendendo a formação desse termo, que se originou pela junção das palavras em inglês insurance, que significa seguro, e technology, que quer dizer tecnologia.


Ou seja, insurtechs são startups voltadas para o ramo de seguros, incluindo os residenciais, os veiculares, de vida, entre outros.


Um mercado ainda em crescimento tanto no Brasil quanto em outros países, em 2021 a América Latina já contava com 352 insurtechs, segundo o relatório Latam Insurtech Journey, da Digital Insurance Latam.


Esse número representa 7% de todo o ecossistema mundial de startups de seguro — ainda que haja um atraso de maturidade desse setor de três anos quando se compara a América Latina aos Estados Unidos e Europa.


O Brasil é o país com mais insurtechs: 129 empresas desse segmento, o que equivale a 32% de toda a América Latina. Na sequência estão:

  • México: 82 companhias, 20%;

  • Argentina: 71 companhias, 18%;

  • Chile: 41 companhias, 10%

  • Colômbia: 31 companhias, 8%.


Ainda que o nosso país seja o que mais tem startups de seguros, a regulamentação segue sendo um dos maiores entraves para a expansão desse setor. Mas por quais motivos isso acontece?


Neste artigo você verá o que são as insurtechs, como funcionam e quais são os maiores desafios de entrada de negócios desse modelo no nosso país.


O que são insurtechs e como funcionam?

Seguindo com a explicação sobre o que são insurtechs, são empresas que usam a tecnologia como base para criação e entrega de soluções de seguro para pessoas físicas e pessoas jurídicas.


Revolucionando o mercado de seguro global, a principal proposta dessas startups é desburocratizar a contratação dos mais variados tipos de seguro, tornando esse produto mais acessível e fácil de ser adquirido.


Por meio de recursos tecnológicos como Inteligência Artificial (IA) e Big Data, as insurtechs se diferenciam das companhias de seguro tradicionais por oferecerem aos clientes vantagens como:

  • praticidade;

  • personalização;

  • desburocratização;

  • preços competitivos.


Praticidade

Contratar qualquer tipo de seguro com poucos cliques, diretamente de um computador ou smartphone. Essa pode ser a explicação dada ao conceito de praticidade em uma insurtech.


Seguindo o mesmo caminho trilhado pelas fintechs, a ideia é que pessoas e empresas consigam contratar seguros de maneira 100% digital, eliminando totalmente a necessidade de se deslocarem até uma seguradora ou fazer reuniões com corretores, ambos processos que demandam tempo dos interessados.


Sugestão de leitura: "Investimentos em fintechs: ainda há espaço nesse mercado?"


Personalização

Por meio da realização de uma aprofundada análise de dados do contratante, as insurtechs conseguem oferecer seguros muito mais personalizados e de acordo com as necessidades do cliente.


Dessa forma, a aquisição é de um produto que realmente proteja os interesses do(a) segurado(a), gerando-lhe um bom custo-benefício. Do ponto de vista da empresa, essa característica de atuação tende a ajudar a elevar o poder de atração e de fidelização da companhia.


Desburocratização

E não há como falar o que são insurtechs sem reforçar um dos seus pontos mais altos, que é a desburocratização.


Considerando que tudo é feito digitalmente, o volume de documentos e informações tramitados e exigidos para a conclusão do processo é bastante reduzido, especialmente quando se compara ao modelo tradicional de venda de seguros.


Por meio do site ou aplicativo da insurtech, as etapas de contratação são reduzidas, bem como o prazo necessário para aprovação desse serviço.


Preços competitivos

Duas condições que fazem com que os preços das startups de seguros sejam mais competitivos são: a ausência de estrutura física de atendimento ao cliente e a personalização dos produtos oferecidos.


A falta de estrutura física de atendimento ao cliente segue o mesmo princípio dos bancos digitais que, por não terem gastos com agências físicas, não repassam esses gastos aos correntistas.


Ao que se refere à personalização dos produtos, a tendência é de um pagamento mais justo, pois o contratante estará pagando somente por aquilo que realmente utilizará, sem custos extras provenientes de soluções e coberturas que não são do seu interesse.


Quais as principais barreiras de entrada e desafios para as insurtechs no Brasil?

Assim como dissemos logo na explicação inicial sobre o que são insurtechs, a regulamentação do setor de seguros no Brasil segue como uma dos principais desafios a serem superados por essas empresas.


De acordo com o artigo 4° da Resolução nº 359/2017, que conta com a aprovação do Conselho Nacional de Seguros: "Art. 4º Fica autorizada a emissão de bilhetes, de apólices, de certificados individuais, de contratos coletivos e de endossos com a utilização de meios remotos."


Ou seja, as insurtechs têm respaldo legal para operarem dessa forma (100% digital). Entretanto, ainda assim, precisam atender a algumas exigências, a exemplo da obrigatoriedade que as startups de seguro têm de ter o funcionamento condicionado a seguradoras tradicionais parceiras.


Um dos principais motivos para esse vínculo é que, até o momento, são essas companhias que gerenciam os riscos de sinistros. Por isso, a legislação vigente ainda mantém essa necessidade de relação.


Outro possível entrave para as insurtechs

Somado a isso, precisamos fechar a nossa explicação sobre o que são insurtechs e os desafios que ainda precisam ser enfrentados por essas empresas falando da captação de investimentos, que pode ser uma barreira de entrada, ou mesmo de crescimento.


É certo destacar que esse é um mercado tecnicamente novo, dessa forma, com muito a ser explorado. Por essa razão, o despertar do interesse de investidores também pode crescer conforme mais startups de seguros sejam abertas, e mais soluções sejam oferecidas e aderidas pelo público.


Para se ter uma ideia de como estão os aportes em insurtechs, conforme nosso levantamento "Panorama Latam", de um total de 4.200 deals, 2,3% foram para as insurtechs. Esse percentual deixa essa categoria atrás de setores como de foodtech e edtech, mas à frente de regtech e energytech.


No que se refere a valores investidos, de um total de US$ 28.663 bilhões, 1,2% foram direcionados para as startups de seguros. Apenas como comparação, desse montante as mais investidas foram as fintechs, que receberam 35,5% dos aportes.


Mas fica o questionamento: existem outras maneiras de as insurtechs captarem mais recursos para o seu crescimento? Este artigo pode ter a resposta: "ENTREVISTA | Fundraising: como traçar a melhor estratégia de captação de recursos?"


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Redação | Movile Orbit