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Fintech de educação financeira: um novo ciclo de crescimento para as fintechs brasileiras?


fintech de educação financeira

Uma fintech de educação financeira trata de uma das maiores dores dos brasileiros: a dificuldade de lidar bem com o próprio dinheiro.


Para se ter uma ideia do quanto essa questão é comum e atinge a vida das pessoas em diferentes cenários, um levantamento realizado pela fintech de saúde e previdência privada Onze, citado em uma matéria do site Valor Investe, revelou que o dinheiro é um dos principais problemas que afeta a carreira profissional, citado por 74% dos entrevistados.


O impacto é tamanho que 30% dos participantes da pesquisa afirmam que esse tipo de preocupação reflete na produtividade no trabalho, 59% perdem o sono, 54,8% perdem o foco e 20,31% perdem a paciência com os colegas.


Mas considerando que as fintechs facilitam o acesso a produtos e serviços bancários, por que não usar essa mesma tecnologia para ajudar o público-alvo a lidar melhor com o dinheiro e, dessa forma, ter um futuro mais promissor e até mesmo expandir o uso das soluções oferecidas por essas empresas?


Pensando nesse nicho é que o Brasil tem, atualmente, 51 fintechs de educação financeira, o que representa 4% das 1.289 startups brasileiras de serviços financeiros, segundo dados do relatório "Fintech Report 2022", do Distrito.


Entre as ferramentas oferecidas por essas companhias estão as voltadas para planejamento financeiro personalizado, análise de gastos pessoais, planejamento para aposentadoria, entre outros comumente baseados em Inteligência Artificial para estudar o comportamento do usuário de dar a ele as melhores diretrizes financeiras.


Soluções oferecidas por uma fintech de educação financeira

Uma fintech de educação financeira, geralmente, trabalha com essas duas vertentes: educação financeira e/ou gestão pessoal. Considerando esses focos de atuação, entre as startups voltadas para esse mercado que são atuantes no Brasil, são oferecidas soluções como:

  • planejamento financeiro;

  • análise, classificação e controle de gastos;

  • controle financeiro;

  • orientação para investimentos;

  • planejamento de aposentadoria.


Planejamento financeiro

A proposta por trás de uma fintech de educação financeira que oferece ferramentas de planejamento financeiro é ajudar as pessoas a enxergarem de maneira mais clara suas receitas e despesas, a fim de encontrarem formas de diminuírem seus custos.


Comumente, a identificação de como está a saúde financeira de uma pessoa é feita por meio da Inteligência Artificial, que considera as informações inseridas pelo usuário no aplicativo ou as captadas de suas contas bancárias, quando a solução conta com essa conexão.


Uma vez feita a análise, o próprio app cria um plano de ação personalizado, com orientações e acompanhamento do que pode ser feito para melhorar a vida financeira dessa pessoa.


Leia também este artigo: "Aplicar Inteligência Artificial em Finanças é mais natural do que parece"


Análise, classificação e controle de gastos

Esse tipo de ferramenta oferecida por uma fintech de educação financeira tem sincronização com a conta bancária do usuário do aplicativo. Com isso, a solução analisa e classifica automaticamente a vida financeira da pessoa.


O suporte fica por conta da recomendação de produtos e serviços financeiros que podem ajudar esse cliente a usar melhor o seu dinheiro, emissão de alertas para pagamento de contas, sugestões de investimentos, entre outros similares.


Controle financeiro

Já as que visam controle financeiro funcionam como uma espécie de planilha de registro, mas com muito mais recursos.


Geralmente, os aplicativos desse tipo registram as transações bancárias e financeiras dos usuários, gerando gráficos e relatórios que ajudam a organizar melhor as finanças.


Orientação para investimentos

Voltado exclusivamente para o mundo dos investimentos, uma fintech de educação financeira que atua nesse nicho ajuda seus clientes a encontrarem os melhores produtos de aplicação.


O foco dessas soluções costuma ser pessoas com pouco conhecimento nessa área (iniciantes) que querem investir de maneira simplificada e com o menor grau de risco que for possível.


Para isso, o app considera a quantia que a pessoa tem disponível para aplicar, seu perfil de investidor e seus objetos e planos em curto, médio e longo prazo.


Planejamento de aposentadoria

A ideia com essa solução é ajudar as pessoas a terem um futuro financeiro mais estável e seguro.


Por conta disso, as ferramentas voltadas para planejamento de aposentadoria prestam o mesmo tipo de assistência e orientação dos gestores de previdência, mas de maneira simplificada e automatizada, considerando também a vida financeira atual e perspectivas futuras do usuário.


Dica! Aproveite e leia também este artigo: "Investimentos em fintechs: ainda há espaço nesse mercado?"


Há espaço para mais startups desse tipo?

O relatório "Panorama Latam", da Movile, revelou que dos US$ 17.517 bilhões de investimentos recebidos pelas startups brasileiras entre os anos de 2017 e 2021, US$ 6,8 bilhões foram direcionados para as fintechs, quantia que coloca essas empresas no primeiro lugar do ranking das mais investidas.


Apesar da desaceleração nos investimentos em startups identificado nos últimos tempos, dados da empresa Distrito, citados em uma matéria da Forbes, apontam que a estimativa é que, até o final de 2022, as startups brasileiras recebam US$ 12,9 bilhões em aportes.


Como existe a chance de as fintechs de educação financeira também serem contempladas, é possível dizer que, sim, que ainda há espaço para mais startups desse tipo.


O próprio perfil do brasileiro destaca a importância da continuidade e do crescimento da oferta de soluções para melhorar o relacionamento das pessoas com o dinheiro.


Conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgados em uma reportagem do site G1 Economia, a inadimplência e o endividamento bateram novo recorde no mês de abril de 2022.


Segundo o levantamento, quase 78% das famílias brasileiras fecharam esse mês com dívidas. A proporção de inadimplência, considerando contas em atraso e dívidas, chegou a quase 28%.


Motivos pelos quais essas fintechs são necessárias

Ainda que haja um cenário de inflação alta, que tende a ser o maior motivo para as famílias brasileiras não conseguirem pagar suas dívidas, é preciso considerar também que a educação financeira é algo que, infelizmente, não faz parte do dia a dia das pessoas, principalmente no Brasil.


O tema, por exemplo, tende a não ser abordado nas escolas, o que dificulta com que as pessoas estabeleçam um bom relacionamento com o dinheiro desde cedo. Somado a isso, falar abertamente sobre finanças segue sendo um tema tabu na maioria dos lares.


A junção de todos esses fatores deixam ainda mais evidente quanto é importante o papel dessas fintechs, e quanto as soluções oferecidas por essas startups podem contribuir para a saúde financeira das pessoas e até para o crescimento da economia brasileira de modo geral.


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Redação | Movile Orbit