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Investimentos em fintechs: ainda há espaço nesse mercado?


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O ano de 2021, definitivamente, foi marcado pelo aumento do número de investimentos em fintechs, isso tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina.


De acordo com o relatório da CB Insights, plataforma de inteligência de mercado, as startups de serviços financeiros dessa região receberam, até o mês de setembro, US$ 14,8 bilhões em investimento.


O Brasil segue líder no ranking de fintechs unicórnios, logo após está o México, mas vale destacar que Colômbia, Uruguai, Chile e Argentina já estão trilhando por esse mesmo caminho.


Um levantamento da Distrito, denominado “Report Retrospectiva 2021”, trouxe informações pontuais sobre os investimentos em fintechs no nosso país: no total foram investidos pouco mais de US$ 9,4 bilhões, resultado de 779 aportes.


Também segundo a Distrito, no relatório “Fintech Report 2022”, o Brasil já conta com 1.289 startups de serviços financeiros, sendo as três categorias com mais empresas: crédito (225), meios de pagamento (185) e backoffice (183).


Mas com tantos novos negócios surgindo nesse setor, será que ainda há espaço para outras companhias entrarem para esse mercado de oferta de soluções financeiras? A resposta é, sim, especialmente as fintechs que visam o atendimento pontual de algum nicho.


Motivos de tantos investimentos em fintechs no último ano

As fintechs surgiram com o propósito de oferecer serviços bancários 100% digitais que, por sua vez, são mais acessíveis, desburocratizados e têm custos reduzidos.


A proposta dessas companhias era suprir as lacunas deixadas pelos bancos tradicionais, bem como trazer opções mais práticas para os clientes bancários, livrando-os do monopólio, até então, típico desse setor.


Por conta dessas características, as startups de serviços financeiros caíram no gosto do público e, consequentemente, de investidores.


Apenas para você ter uma ideia, o número de brasileiros que usam exclusivamente contas bancárias digitais subiu 73% entre os anos de 2018 e 2020.


Segundo dados do relatório Global Digital Banking Index 2021, divulgados no site E-Investidor, do Estadão, o Brasil é o terceiro país com o maior número de pessoas utilizando serviços financeiros de contas bancárias exclusivamente digitais.


Esse mesmo estudo apontou os motivos pelos quais os brasileiros estão preferindo e confiando nesse tipo de solução:

  • conveniência;

  • utilização simples;

  • custo-benefício;

  • comunicação efetiva e objetiva.


Em suma, é possível considerar que a adesão crescente do público é um dos motivos pelos quais essas companhias estão chamando tanto a atenção de investidores.


Além da potencial preferência dos brasileiros pelos serviços financeiros digitais, outras razões que podem fomentar novos investimentos em fintechs são:

  • avanço do processo de digitalização do dinheiro;

  • crescimento da oferta de meios de pagamentos e bancos digitais;

  • flexibilização das regulamentações.

Avanço do processo de digitalização do dinheiro

O Relatório de Tendências 2022 da Zoop, fintech líder em tecnologia para serviços financeiros e uma das investidas da Movile, destacou que R$ 40 bilhões em espécie deixaram de circular no Brasil de janeiro a outubro de 2021, o que representa uma queda de 10,5% em comparação ao ano anterior.


O processo de digitalização do dinheiro já vinha acontecendo, graças à chegada das fintechs. No entanto, a pandemia do coronavírus impulsionou essa transformação, levando as pessoas a utilizarem bem mais serviços financeiros e meios de pagamentos digitais.


Crescimento da oferta de meios de pagamentos e bancos digitais

Ainda segundo o relatório de tendências da Zoop, a adesão às carteiras digitais chegou a 89% dos brasileiros, e a projeção de movimentação de transações cashless e contactless já é de R$ 3 trilhões para 2022.


Por conta disso, é possível dizer que os meios de pagamentos digitais também colaboraram para as fintechs se destacarem nos últimos tempos, e isso tanto pela oferta direta ao cliente final quanto pela entrega da tecnologia necessária para que outras empresas entrassem nesse setor, independentemente dos seus core business.


No mercado B2B, um bom exemplo é o Banking as a Service (BaaS), serviço disponibilizado por fintechs que permite que qualquer negócio ofereça ao seu público serviços de um banco digital.


O iFood, por exemplo, criou o chamado “Bancos dos Restaurantes” utilizando a tecnologia fornecida pela Zoop, e passou a entregar aos seus parceiros de negócios produtos e serviços financeiros, como conta digital completa e cartão pré-pago.


Dica de leitura: “O potencial da cashless economy e as tecnologias que impulsionam esse processo


Flexibilização das regulamentações

O levantamento “Fintech Report 2022” que citamos também destacou que, em março de 2022, o Banco Central realizou a edição de uma série de novas regras voltadas para as instituições de pagamento (IPs), colocando-as em patamar de igualdade com as instituições financeiras.


Na prática, isso indica que as IPs deverão seguir normas e diretrizes proporcionais ao seu porte e complexidade. Essas novas determinações passam a vigorar a partir de janeiro de 2023, com implementação total prevista para até janeiro de 2025.


Com regras mais abrangentes, os investimentos em fintechs se tornam ainda mais promissores, considerando que o potencial de atuação das startups de serviços financeiros se expande, refletindo no público que pode ser atendida, nos tipos de soluções oferecidas e, por consequência, no faturamento.


Outras razões da alta de investimentos em fintechs

É certo que a atuação das fintechs não se limita à criação de bancos digitais. Assim como citado no relatório da Distrito que mencionamos logo no início deste artigo, existem startups desse modelo voltadas para backoffice, tecnologia, criptomoedas, risco e compliance, fidelização, crowdfunding, entre outros serviços.


Graças a essa diversificação, as startups de tecnologia conseguem resolver uma série de problemas e descontentamentos — tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas — com a oferta de suas soluções. Essa característica, por si só, já é uma das razões pelas quais essas companhias têm despertado o interesse de investidores.


Sobre isso, vale destacar que quanto mais a tecnologia se aprimora e sua utilização aumenta, mais lacunas podem ser preenchidas por essas empresas. Seguindo essa linha de raciocínio, à medida que trazem boas soluções para seus nichos, maior tende a ser o potencial de crescimento em valor e lucratividade dessas startups.


E por mais que novas fintechs estejam sendo criadas a cada dia, esse mercado segue longe de se tornar saturado. Um dos motivos é que ainda existem várias dores no mercado financeiro que precisam ser resolvidas, que surgem proporcionalmente às novas necessidades dos (as) usuários (as).


Sendo assim, é possível dizer que, conforme as exigências do público mudam, soluções atualizadas precisam ser desenvolvidas e entregues. Por conta disso, ainda há muito a ser explorado pelas fintechs.


Tendências de startups de tecnologia financeira

E como dissemos logo no início deste artigo, o atendimento de nichos é uma tendência desse mercado que pode incentivar os investimentos em fintechs.


As agrifintechs, ou agfintechs, fintechs que atuam especificamente no segmento de agronegócio, ainda são pouco exploradas no nosso país, mas têm potencial de crescimento por contribuírem que pequenos e médios agricultores tenham acesso mais fácil a financiamentos, recurso importante para esse setor.


Além desse modelo há também as edfintechs, startups de serviços financeiros voltadas para a área de educação que visam atender tanto B2B quanto B2C. Entre as soluções oferecidas, alguns exemplos são:

  • plataformas especializadas em gestão financeira escolar;

  • financiamento estudantil privado


As fintechs voltadas para o mercado de criptomoedas também tendem a expandir suas atuações, bem como surgirem novas companhias desse modelo para atendimento desse nicho. Um dos motivos é a regulamentação dos ativos digitais, que já foi aprovada pelo Senado, e agora segue em tramitação na Câmara dos Deputados.


Há ainda o segmento de infraestrutura de segurança, para o qual a expectativa de ampliação está relacionada à chegada de novos mercados. Por exemplo, o metaverso abre novamente a discussão sobre a privacidade e proteção de dados nesse ambiente, o que, consequentemente, gera diferentes oportunidades de atuação para as startups de tecnologia.


Ainda há espaço para investimentos em fintechs?

Considerando a constante evolução da tecnologia, e seu uso cada dia maior por pessoas e empresas, é possível dizer que as fintechs ainda têm muito a evoluir e a crescer, o que justifica a necessidade de novos investimentos.


Assim como mencionamos, esse crescimento está diretamente relacionado às novas necessidades que surgem com o passar dos tempos, sejam elas decorrentes de novos comportamentos dos (as) usuários (as) e consumidores, sejam derivadas de mudanças econômicas.


O atendimento de nichos, por sua vez, é outra característica das fintechs que tende a potencializar suas atuações, visto que quanto mais estiverem inseridas em um determinado mercado, mais fácil fica identificar suas dores e, com isso, conseguir criar e entregar soluções realmente pontuais, fomentando o crescimento dessas companhias.


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Redação | Movile Orbit