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Games e redes sociais: os jogos eletrônicos acabarão com essas mídias?


games e redes sociais

Andrew Chen, um dos idealizadores do A16Z Games Fund One, fundo de investimento para jogos eletrônicos da A16Z, empresa de capital de risco que apoia empreendedores da área de tecnologia, chamou a atenção para a relação entre games e redes sociais em uma postagem que fez no seu LinkedIn.


Segundo Chen, os jogos são a próxima rede social, e ele estava vendo isso em primeira mão. Mas por qual motivo isso está acontecendo?


Uma das razões pode ser o fato de os jogos eletrônicos atuais poderem ser comparados a um ambiente virtual de interação entre pessoas que compartilham as mesmas preferências, ideais e propósitos — ou seja, similar às redes sociais.


E quanto mais pessoas fazem parte do mundo dos games, maiores são as chances dessa perspectiva se concretizar, afinal, mais gente estará dividindo um mesmo espaço digital de interação.


Para se ter uma ideia da quantidade de adeptos, uma matéria do site Money Times trouxe dados da Epic Games, desenvolvedora norte-americana de jogos eletrônicos, os quais revelaram que, em 2021, a companhia já contava com mais de 500 milhões de contas de usuários.


No que se refere à interação entre usuários, especificamente, apenas entre os jogos Fortnite e Rocket League 2,7 bilhões de conexões de amigos foram registradas.


Outra prova que a relação entre games e redes sociais está cada dia mais forte é a ferramenta de bate-papo por voz do Fortnite que permite, inclusive, a criação de canais de grupos (que conecta jogadores de um mesmo grupo) e canais de jogo (que conecta jogadores de uma mesma equipe, mas em grupos distintos).


Aqui, vale destacar ainda que o Fortnite é bastante conhecido pelos diversos eventos inseridos nas partidas, a exemplo de shows com cantores internacionais. Esses acontecimentos, por sua vez, se tornaram também uma importante fonte de marketing para a empresa em si e seus parceiros.


Considerando que as redes sociais têm por objetivo conectar pessoas e/ou negócios com interesses comuns, e que também se tornaram importantes canais de publicidade, fica mais claro entender por quais motivos os games estão sendo comparados a elas. Mas isso decretaria o fim dessas mídias sociais?


O atual cenário dos games e redes sociais no Brasil e no mundo

De acordo com a Newzoo, fonte de insights e análise de jogos, a previsão era que o mercado de games gerasse US$ 175,8 bilhões em 2021, com a expectativa de ultrapassar US$ 200 bilhões em 2023.


Também até o final de 2021, a estimativa da companhia era que o mundo inteiro contasse com quase 3 bilhões de jogadores.


Já dados da empresa TechNET Immersive, os quais foram divulgados no site Invision Community, revelaram que esse segmento teve avaliação de US$ 163,1 bilhões em 2021.


Especificamente aqui no Brasil, a 9ª Pesquisa Game Brasil constatou que 74,5% dos brasileiros estão jogando games em 2022, número que representa um crescimento de 2,5% em relação ao ano anterior.


Ainda segundo a pesquisa, 76,5% dos 13.051 entrevistados afirmaram que os jogos eletrônicos se tornaram a sua principal fonte de entretenimento. Aqui, podemos aproveitar esse dado para, novamente, estabelecer uma ligação entre os games e redes sociais, visto que essa última solução é comumente considerada um meio de distração, lazer e passatempo para as pessoas.


O uso das redes sociais é tão amplo, que o relatório "Digital 2021 — Global Overview Report" mostrou que o total de usuários ativos dessas redes em todo o mundo é de mais de 4,2 bilhões de pessoas, um crescimento de 13,2% sobre 2020.


No que se refere ao Brasil, especificamente, 70,3% é o percentual comparativo entre o número de usuários de rede social e o total de população. Quanto ao tempo gasto com essas mídias, os brasileiros ocupam o 3° lugar no ranking, dedicando 3 horas e 42 minutos diários.


Dica de leitura: "Mercado de games: seria essa a indústria do momento?"


Será que os games podem mesmo acabar com as redes sociais?

Tomando todos esses números como base, é possível listar os principais pontos que relacionam games e redes sociais, por exemplo:

  • games e redes sociais são considerados fontes de entretenimento para os brasileiros;

  • ambos ganham cada dia mais adeptos e, consequentemente, mais valor de mercado;

  • games e redes sociais podem ser utilizados como canais de interação entre pessoas que têm o mesmo propósito;

  • ambos podem ser importantes veículos de marketing e publicidade para diversas empresas;

  • o uso de mídias sociais e games gera fonte de renda para seus usuários.


Mas ainda que existam tantos pontos em comum, será mesmo que os jogos eletrônicos têm potencial para colocar um fim nas redes sociais? Para responder a essa pergunta é preciso considerar algumas questões.


Por exemplo, ainda que os jogos eletrônicos atuais disponibilizem recursos que permitam a conexão e a conversão entre os jogadores — como o exemplo do Fortnite que demos logo na abertura deste artigo —, é preciso ter em mente que isso beneficia um grupo específico de pessoas, ou seja, um nicho.


Explicando de outra forma, mesmo que permita a formação de comunidades virtuais com objetivos comuns, e que o número de adeptos aos games cresça a cada dia, ainda há um grande grupo de pessoas que não terão suas necessidades de lazer supridas apenas dessa forma.


Mesmo entre os jogadores, é preciso considerar que eles têm diversos outros interesses além dos games, tais como moda, saúde, atualidades e mais. Temas que não tendem a ser debatidos nos grupos dos jogos eletrônicos com tanta intensidade ainda, mas que fazem parte da vida de todo mundo.


Por fim, há ainda o fato que diversos recursos e ferramentas são próprios das redes sociais, a exemplo do compartilhamento de fotos e vídeos, os quais podem ser usados em diferentes momentos — a exemplo do TikTok no RH, que já é uma realidade.


Em suma, ainda não é possível afirmar que os games acabarão com as redes sociais. Entretanto, esse é um caminho que já está sendo desbravado e, com o avanço do mercado de jogos eletrônicos, tem potencial para se tornar realidade no futuro.


Dica extra! Se o universo dos games é um tema interessante para você, confira os outros artigos do Movile Orbit relacionados a esse assunto, tais como:


Aproveite e ouça também o podcast do canal Brutal Facts, com Breno Masi, fundador da Afterverse, uma das investidas da Movile.


 

Redação | Movile Orbit