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Decisões de produto: quem são os responsáveis por sua evolução?


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Quem toma as decisões de produto da sua empresa? Essa é uma questão bastante polêmica, mas que precisa ser respondida. Uma das razões é que muitos pensam que essa responsabilidade é do(a)s Product Managers (Gerentes de Produto) da companhia. Mas será mesmo?


Para chegar a um possível consenso, é interessante começarmos explicando o que está por trás dessa função.


Uma pessoa que atua como Product Manager (PM) tem como uma das principais atribuições estabelecer uma conexão entre as dores e necessidades dos clientes e as ofertas e estratégias da marca.


Isso significa que cabe a esse(a) profissional pensar em todos os pontos necessários que ajudem a chegar a um produto e/ou serviço que atenda a essas duas exigências.


Pensando dessa forma, pode-se entender que as decisões de produto, no sentido de evolução e entrega para o mercado, não cabe a apenas ao(à) PM, visto que seu principal papel é considerar a experiência do usuário e as expectativas de crescimento da empresa para desenhar soluções que levem a resultados que atendam todos com precisão.


Por mais que o(a) Product Manager possa “defender” a sua abordagem, com base em experiências passadas, percepções atuais e dados quantitativos e qualitativos, a participação de outros personagens da empresa é primordial nas tomadas de decisões de produto.


O que se espera de um Product Manager

Um artigo escrito há muito tempo por Ben Horowitz, empreendedor, investidor, blogueiro, autor e cofundador da Andreessen Horowitz, um dos mais renomados fundos de Venture Capital do mundo, traz diversas características do que seria um(a) bom(boa) Product Manager.


Ainda que ele comece o texto dizendo que essas percepções podem não retratar o atual comportamento desse cargo, elas são interessantes para definir o que se espera de um(a) PM e fazer uma relação com quem são os responsáveis pelas decisões de produto de uma empresa.


Do ponto de vista de Horowitz, algumas das características e posicionamentos de um(a) bom(boa) Gerente de Produto são:

  • conhece perfeitamente o mercado, a linha de produtos da empresa e a concorrência;

  • é "CEO" do produto que está sendo desenvolvido;

  • assume total responsabilidade e mede sua atuação com base no sucesso do produto;

  • é responsável ​​pelo produto, tempo de entrega e vida útil e tudo o que isso resulta;

  • conhece bem o contexto da empresa, incluindo receita;

  • assume a responsabilidade de elaborar e executar um plano de ação vencedor;

  • não faz parte da equipe do produto, apenas a gerencia;

  • antecipa as potenciais falhas graves do produto e cria soluções reais e possíveis.


Um ponto que chama a atenção para esses parâmetros é que, ainda que diga que o Product Manager é CEO do produto, Ben Horowitz não deixa claro se todas as decisões devem ser tomadas por esse(a) profissional.


Quem deve tomar as decisões de produto

Para definir quem deve tomar as decisões relativas à evolução de um produto, é preciso ter em mente a seguinte definição: profissionais de Product Management podem ser (e até são) responsáveis por definirem a direção que um produto deve tomar quanto ao seu desenvolvimento. Mas isso sempre em parceria com o seu time, não decidindo o futuro do negócio.


Em linhas gerais, quem atua como PM pode usar argumentos válidos e respaldados em dados para apresentar aos verdadeiros responsáveis pela empresa quanto determinada solução pode ser benéfica para o crescimento da marca.


Nesse cenário, é possível trazer argumentos que viabilizam a implementação do novo produto, de modo que isso ajude o alto escalão executivo a deliberar o melhor possível em favor da empresa.


Quanto a isso, é preciso considerar também que, nem sempre, apenas os idealizadores da companhia estão envolvidos nesse processo. Por exemplo, em uma startup que já conta com investidores(as), comumente é necessário a aprovação deles(as) para que algo seja inserido no mercado com aquela marca.


Ou seja, dependendo do porte do negócio, pode ser preciso formar um conselho de administração composto por C-Levels, investidores, representantes da área de gestão de produtos, vendas, marketing, logística, entre outros departamentos que podem ser impactados com essa decisão.


Dica de leitura: “O jeito Movile de investir em novas companhias e as conexões para um crescimento mútuo


Por que é importante definir os responsáveis pelas decisões de produto

Mas por quais motivos é tão importante definir os responsáveis pelas decisões de produto de um negócio? Existem várias razões para isso, as quais, quando negligenciadas, podem afetar seriamente o crescimento da companhia.


Entre as razões mais significativas que merecem atenção dos gestores estão:

  • não ter a definição de um(a) responsável por esse tipo de decisão tende a deixar o processo lento, especialmente se for preciso ouvir várias pessoas para chegar a um consenso;

  • quando ninguém se sente verdadeiramente responsável pela tomada de decisão, isso tende a impactar negativamente prazos, adaptações, melhorias e outros pontos similares que resultam na entrega de algo realmente relevante os clientes da empresa;

  • pode-se considerar que um consenso se torna a melhor forma de decidir algo. Mas ainda que seja democrático, é preciso ter em mente que esse caminho nem sempre espelha o melhor para a marca. Muitas vezes pode ser apenas a opinião pessoal, e até mesmo a defesa da participação de cada um.

Da decisão em diante

Marty Cagan, tido como uma lenda do Product Management, cita em seu livro “Inspired: How to Create Tech Products Customers Love”:


Grandes equipes de produtos são formadas por pessoas comuns que são empoderadas e inspiradas


Essa frase leva ao entendimento que, tão importante quanto definir quem deve tomar as decisões, é manter os times motivados para que novas soluções inovadoras possam ser criadas para destacar a empresa dos seus concorrentes.


Para isso, um dos caminhos é a postura dos líderes — a exemplo do(a) quem ocupa o cargo de Product Manager — que precisa adotar medidas que proporcionem esse estímulo, ao mesmo tempo em que mantém em evidência a cultura organizacional e os objetivos de crescimento da empresa.


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Redação | Movile Orbit