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5 prioridades para conselhos de administração, segundo a EY


A EY Center for Board Matters (CBM), líder global em serviços de auditoria, impostos, transações e consultoria, realiza todos os anos uma pesquisa com foco na promoção de insights voltados para o conselho de administração das empresas.


No levantamento de 2022, o questionário foi aplicado para membros de Conselhos de Administração (CA) de vários países da América Latina de forma simultânea, incluindo o Brasil, a Argentina, o Chile, a Colômbia, o México e o Peru, o que aconteceu pela primeira vez desde 2019.


Esses conselheiros e conselheiras listaram quais serão os temas que se destacarão nas reuniões ao longo deste ano, chegando a cinco prioridades para conselhos de administração, que são:

  1. Ambiente regulatório e políticas públicas: 44%;

  2. Transformação digital e uso adequado de novas tecnologias — Inteligência Artificial, Machine Learning, Blockchain etc: 43%

  3. Cultura e propósito da companhia: 41%

  4. Planejamento estratégico de longo prazo e alocação de capital: 37%

  5. Resultado, performance e metas econômico-financeiras: 33%.


Mas antes de falarmos um pouco mais sobre cada um deles, é importante destacarmos uma das percepções apresentadas por esses profissionais.


A mais importante se refere ao fato que as empresas precisam concentrar suas atuações na entrega de valor, aprimoramento da cultura e obtenção de novos talentos em longo prazo como uma maneira de fomentar a transformação das organizações em um cenário pós-Covid-19.


Por conta disso, a tendência é que este ano seja mais crítico para as organizações quando o assunto é promover uma mudança sistêmica duradoura.


Diante dessa situação, as prioridades para um conselho de administração devem seguir a linha das identificadas pelo grupo de conselheiros e conselheiras entrevistados.


Prioridades definidas para um conselho de administração


1. Ambiente regulatório e políticas públicas

Essa questão ainda segue muito alinhada às medidas tomadas para o enfrentamento da pandemia. Também por isso, ocupa o primeiro lugar na lista de prioridades para conselhos de administração.


Somado a esse ponto está o fato que as regulações empresariais tendem a ser voláteis — para se ter uma ideia quanto a isso, apenas no Brasil foram publicadas mais de 6,7 milhões de normas em 33 anos de vigência da Constituição Federal.


Quanto a essa pauta, o relatório da EY recomenda que os membros do conselho de administração de empresas reflitam sobre pontos como:

  • A atuação do conselho está alinhada ao atendimento às normas e regulações que afetam a companhia?

  • O que está sendo feito para mitigar riscos de um possível não cumprimento das regulamentações?

  • O setor de RIG (Relações Institucionais e Governamentais) da organização está devidamente estruturado?

  • Está sendo feito o acompanhamento correto das atualizações de normas e leis que impactam na atuação da empresa?

2. Transformação digital e uso adequado de novas tecnologias

A importância de passar pelo processo de transformação digital já não é mais nenhuma novidade no mundo corporativo.


O que a pesquisa da EY traz à tona para ser discutido por um conselho de administração é que, além da obtenção de bons resultados em decorrência do aumento da produtividade pela adoção de novas tecnologias, essa abordagem também leva à abertura de um caminho para novos negócios.


Sobre isso, gera-se a possibilidade de ideias realmente inovadoras, com posicionamento mais competitivo, especialmente considerando que isso permite a implementação de abordagens até então não utilizadas por companhias já estabelecidas.


Para tudo isso se tornar uma realidade, os conselheiros e conselheiros participantes da pesquisa chamam a atenção para três pilares:

  • ambição e visão estratégica: criar uma trajetória projetada para o futuro;

  • construção de fluência e capabilities: agregar conhecimento, aplicação e uso de novas tecnologias;

  • estabelecimento de prontidão: definir rotinas para captar, testar e explorar tecnologias novas, a fim de gerar a oportunidade de conhecer e aplicar soluções até então fora do domínio da companhia.


Dica de leitura: “O avanço de modelos de negócio phygital


3. Cultura e propósito da companhia

Considerando que a definição e a gestão da cultura organizacional se refere a algo intangível (comportamentos, padrões, entre outros), um dos desafios do conselho de administração de uma empresa é propor estratégias que alinhem isso às metas de crescimento da companhia.


Esse trajeto passa pela construção do propósito do negócio, de modo que isso seja facilmente entendido por todos. Soma-se a esse ponto a necessidade de implementar ações de conscientização quanto a essa definição e também a importância do papel dos líderes como responsáveis pela aplicação da cultura da empresa.


Considerando ainda que nos últimos tempos questões como a mudança da dinâmica de trabalho — por exemplo, a implementação do trabalho remoto e/ou híbrido — e a busca por profissionais mais qualificados para as funções ganharam evidência, a pesquisa da EY chama a atenção dos conselhos para reflexões como:

  • A atual cultura organizacional está realmente alinhada aos propósitos da companhia? Se não, o que precisa ser ajustado?

  • Como o CA pode contribuir para disseminar a cultura?

  • O que é preciso ser feito para garantir o comprometimento dos (as) profissionais em cenários de mudanças?


Não deixe de ler este artigo: “O que as culturas organizacionais do iFood, Amazon, Netflix e Google têm em comum?


4. Planejamento estratégico de longo prazo e alocação de capital

Criar um diferencial competitivo pode ser um dos segredos para conseguir bons investidores. No caminho para atingir essa meta é preciso que físico e digital caminhem com os atuais comportamentos e hábitos adotados pelos consumidores.


A experiência da EY destaca que as discussões das empresas bem-sucedidas se baseiam na exploração de uma palavra: “estratégia”. No entanto, para que uma estratégia realmente dê certo, é bem importante que os conselhos de administração trabalhem questões como:

  • Quanto de investimento é necessário até que as ações implementadas gerem o retorno esperado?

  • O que é preciso fazer para atender as necessidades dos clientes, melhorar suas experiências e, com isso, garantir as entregas corretas por parte da companhia?

5. Resultado, performance e metas econômico-financeiras

A última das prioridades apresentada no relatório da EY trás para as discussões estratégicas o termo “destruição criativa”, difundido pelo economista Joseph Schumpeter.


Consiste em implementar novas soluções que promovem a “destruição” do que é usado atualmente pelas companhias, dando espaço para uma “reconstrução” que tem como base pontos como o comportamento dos consumidores, a busca por um diferencial competitivo e o uso de novas tecnologias.


Outro desafio levantado aqui que precisa ser discutido se refere a como repassar os valores de custos de produção para o preço final de produtos e serviços, considerando um cenário econômico ainda no contexto de pós-pandemia (desemprego, perda do poder de compra, entre outras situações relacionadas).


Para resolver questões como essas, conselheiros e conselheiras administrativos devem ponderar sobre:

  • Como alinhar as mudanças econômicas aos planos de ação da organização?

  • Quanto do contexto econômico atual foi incorporado às definições estratégicas?

  • Quais drives econômicos precisam ser monitorados e quanto eles impactam nos resultados pretendidos?

Assim como dissemos logo na abertura deste artigo, as percepções coletadas na pesquisa da EY têm por objetivo gerar insights para os (as) profissionais que atuam em conselhos administrativos empresariais, sendo a ideia de tendência do que está por vir neste ano.


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Redação | Movile Orbit