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Tecnologia: o caminho ao crescimento exponencial do mercado de logística

Rápido crescimento do e-commerce no Brasil revela oportunidades para ecossistema ao redor de serviços e tecnologia de entrega




Artigo original publicado no IT Forum

A pandemia ocasionada pelo coronavírus acelerou o mercado de logística last mile. No Brasil, esta etapa tem crescido mais de 20% ao ano e a tendência é que esse número aumente ainda mais. Para se ter uma ideia, desde o ponto inicial do isolamento social, em que o consumidor e varejista tiveram de se adaptar ao comércio online, as vendas de produtos e serviços no comércio online atingiram um aumento de 50%, trazendo avanços para a digitalização do setor logístico no País. E para se enquadrar nesta nova realidade, a indústria ainda tem como grande desafio se adaptar e se digitalizar.


Mesmo com esse aumento em pouco tempo, o ingresso do consumidor no e-commerce, na América Latina, ainda é baixo quando comparado a mercados já maduros. O que se torna uma oportunidade para quem atua na área nesta região.


Para se ter ideia, na China – país que tem um desenvolvimento tecnológico fomentado há anos, os canais de compra online são muito bem aceitos pela população. Segundo dados do Marketer, empresa de pesquisa norte-americana, o social commerce, estratégia que mistura redes sociais com marketplaces no país asiático, deve atingir US$ 474,81 bilhões em 2023, chegando a ser 10 vezes maior do que o mercado americano.


Imagine então a oportunidade que temos para desenvolver o e-commerce e todo o ecossistema que o envolve em um mercado como o do Brasil, por exemplo, que é grande usuário das redes sociais? De acordo com o Euromonitor International, os brasileiros são mais receptivos aos anúncios online, com aproximadamente 35% dos internautas considerando os anúncios dirigidos como invasão de privacidade. Por sua vez, quase 55% dos usuários de internet no Reino Unido consideram estes anúncios como invasão de privacidade, assim como 50% dos internautas nos EUA e na França.


Outra prova do quanto ainda temos de espaço para conquistar em termos de América Latina, no Brasil, uma entrega demora, em média, 16 dias para ser realizada, enquanto nos EUA, leva de 5 a 6 dias. Para viabilizar as entregas expressas, é necessária uma melhoria e descentralização dos estoques das indústrias. Dois fatores principais explicam a inviabilidade de entregas mais rápidas no País: grande parte da logística ocorre por meios rodoviários, o que dificulta a implantação da multimodalidade nos transportes, e a grande lacuna tecnológica que ainda existe no setor, o que dificulta a inovação e, consequentemente, o seu desenvolvimento e competitividade dos marketplaces no mercado.


Tendo em vista este cenário, o ponto central para que possamos alcançar maior eficiência está na adoção de tecnologia de ponta ao longo de toda a cadeia. O que o mercado de logística nacional utiliza de inovação atualmente ainda é muito pouco se comparado a outros setores no País, como o próprio varejo. Enquanto as principais empresas de logística não investirem em uma maior integração de banco de dados e informação, não será possível a criação de algoritmos avançados para a otimização de processos e ganho de eficiência.


A tecnologia tem um papel importante no aumento da eficiência e na redução dos custos. Hoje, o custo da logística com relação ao PIB brasileiro é de aproximadamente 12%, enquanto as regiões mais desenvolvidas apresentam taxas menores que 10%. Nos EUA, por exemplo, o custo logístico representa 8% do PIB.

No atual contexto, cerca de 40% das empresas de logística ainda não utilizam a nuvem, o que inviabiliza uma gestão de dados mais eficiente e por isso o grande desafio está na integração de processos e de dados logísticos. Para que possamos chegar a um nível de automação elevado, como centros de distribuição operados por robôs, por exemplo, é necessário investir em uma excelente estrutura de apoio tecnológico.


Só para compararmos, a logística tradicional cresce menos de 5% ao ano, enquanto o last mile que vivencia uma maior digitalização, cresce mais de 20% ao ano. Diante desse cenário, fica cada vez mais claro que as empresas que atuam com logística precisarão investir cada vez mais em soluções tecnológicas, como os SaaS (recursos de software), para gerenciar melhor suas frotas, integrar sistemas, aprender ainda mais sobre a atuação no last mile, entre outros passos importantes na cadeia de valor.


Acredito que, para os próximos anos, os serviços que vão continuar em ascensão serão a inteligência artificial, machine learning, descentralização de estoques, logística multimodal e ship from store, que são tecnologias conectadas, por isso é importante enxergar como o que já compõe o portfólio das empresas de logística pode ser integrado a outras soluções no mercado, ganhando maior valor agregado a partir da sinergia. Acredito que a logística last mile na América Latina tem muito a se desenvolver.



 

Silvia Motta é diretora de estratégia e M&A da Movile. Profissional com mais de dez anos de experiência em diversos setores, desde startups até educação, private equity e consultoria de gestão