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Desafios de logística no Brasil e as tecnologias que estão disruptando esse mercado


Nosso país tem pouco mais de 8,5 milhões de km² de extensão territorial. Somente esse número já dá uma ideia dos desafios de logística no Brasil que precisam ser enfrentados.


É fato que esse setor abrange toda a cadeia de transportes utilizada para movimentar as produções, e isso inclui desde a entrega de matéria-prima, insumos, maquinários, peças, equipamentos, e diversos outros itens que serão utilizados pelas empresas dos mais variados segmentos, até a entrega para o consumidor final.


Mas se considerarmos apenas o crescimento do comércio eletrônico no nosso país, é possível ter uma noção do tamanho do mercado de logística no Brasil e a necessidade de modernizá-lo.


Segundo dados apresentados no relatório de tendências da Zoop, fintech líder em tecnologia para serviços financeiros e uma das investidas da Movile, apenas no primeiro trimestre de 2021 o e-commerce brasileiro bateu recorde de vendas, atingindo R$ 53,4 bilhões.


Ou seja, se essas mercadorias foram compradas, elas precisam ser entregues aos clientes nos endereços solicitados, certo? Dependendo da origem e do destino, diferentes modais podem ser utilizados (inclusive, mais de um para uma mesma entrega), entre as opções estão:

  • modal ferroviário;

  • modal rodoviário;

  • modal hidroviário;

  • modal aeroviário;

  • modal dutoviário.


A questão aqui é que os custos logísticos no Brasil representam 10% do faturamento das empresas nacionais, e esse gasto tende a ser reflexo tanto da gestão adotada pela companhia para essa atividade quanto das ações governamentais, segundo a ILOS.


A boa notícia é que o uso da tecnologia na logística pode (e deve) ser aplicado para aprimorar esse setor, ajudando as empresas a enfrentarem os maiores desafios atuais e futuros.


Principais desafios de logística no Brasil

No ranking de 2022 do Agility Emerging Markets Logistics Index (AEMLI), que classifica os mercados logísticos mais promissores entre os principais países emergentes, o Brasil ocupa a 16º posição na classificação geral.


No que se refere a oportunidades de logística doméstica, que é aquela efetuada no próprio território nacional, nosso país agora ocupa a 7ª posição. Já para oportunidades de logística internacional, estamos em 12º lugar.


Considerando que a análise abrangeu 50 países, o Brasil até que não está mal classificado. Porém, não se pode fechar os olhos para os desafios logísticos que ainda precisam ser enfrentados, os quais afetam o desempenho de muitas empresas e o setor econômico de modo geral.


Entre os que mais se destacam estão:

  • falta de infraestrutura das estradas e ferrovias.

  • a dependência da malha rodoviária e seus altos custos


Falta de infraestrutura das estradas e ferrovias

Segundo dados da NTC & Logística, divulgados em uma reportagem no site CNN Brasil, a malha rodoviária é responsável por cerca de 60% de tudo o que é transportado no país.


No entanto, conforme aponta o Anuário CNT do Transporte de 2021, apenas 9,7% das rodovias têm seu estado geral analisado como ótimo, considerando pavimentação, sinalização e geometria como critérios.


Pontos como esse refletem no tempo de entrega e também nas condições dos veículos, que precisam de mais manutenções e, como reflexo, geram mais custos para as empresas que trabalham com logística no Brasil.


Hoje, o tempo médio de entrega de uma mercadoria no Brasil é de 15 dias, muito acima da média de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tempo médio é de 5 a 6 dias.


Dependência da malha rodoviária

“Com grande parte da logística ocorrendo por meios rodoviários, temos no Brasil uma grande dificuldade na implantação da multimodalidade nos transportes”, afirma Silvia Motta, Diretora de Estratégia da Movile.

Considerando apenas do mês janeiro de 2021 para cá, a Petrobras já reajustou o preço dos combustíveis 13 vezes.


É essencial ter em mente que esses percentuais refletem diretamente no valor dos fretes e no custo das operações logísticas de maneira geral e, consequentemente, acabam impactando o preço final cobrado dos consumidores pelos produtos e serviços adquiridos.


Tecnologias que podem melhorar a logística no Brasil

Mas assim como dissemos logo no início deste artigo, o uso da tecnologia tem se mostrado o melhor recurso para resolver problemas logísticos atuais e também como forma de preparar as empresas para o que está por vir.


No nosso artigo “Tendências em logística last-mile para ficar atento(a)”, Silvia Motta, Diretora de Estratégia e M&A da Movile e uma das responsáveis pelo desenvolvimento da nossa vertical de logística, destacou as seguintes inovações tecnológicas para esse setor:

  • AI e Machine Learning (já acontecendo);

  • capilarização da cadeia (em curto prazo);

  • distribuição mais inteligente (em médio a longo prazo);

  • popularização de veículos autônomos (em longo prazo).


Somado a essas, podemos citar também o uso das seguintes soluções para aprimorar a logística no Brasil:

  • rastreamento de radiofrequência: acompanhamento da frota mesmo que essa esteja em locais fechados, a exemplo de túneis. A ideia é melhorar a rastreabilidade dos veículos, identificando suas posições para ajuste das rotas, entre outras aplicações;

  • análise de dados: utilizar sistemas próprios para esse fim para monitorar e analisar o desempenho das atividades, de modo que isso ajude a reduzir custos e otimizar processos de envio de mercadorias.

  • introdução de novos modais e tecnologias de transporte, como foi o caso de drones e o aumento na adesão de veículos elétricos.

Case iFood

O iFood, empresa líder do setor de delivery e uma das investidas da Movile, é uma das companhias que está trabalhando para adotar o sistema de entregas autônomas por meio do uso de drones.


Na verdade, o iFood foi a primeira foodtech a utilizar esse modal na América Latina com aprovação dos órgãos responsáveis.


Desde 2020 estão sendo realizados testes com esse modelo de entrega, sendo que o primeiro aconteceu na cidade de Campinas, em São Paulo. Em dezembro de 2021 foi realizada uma rota experimental intermunicipal entre as cidades de Aracaju e Barra dos Coqueiros, ambas em Sergipe.


Com a aprovação final da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 21 de janeiro de 2022, o iFood se torna a empresa pioneira no Brasil no uso de drones como modal de delivery.


Vale destacar que o serviço dos entregadores permanecem, visto que esses(as) profissionais serão os responsáveis por buscar o pedido no chamado “droneport” e levá-lo até o(a) cliente com meios de transporte que utilizam, tais como motocicletas e bicicletas.


Ainda assim, isso reduzirá consideravelmente o tempo de entrega — por exemplo, um percurso que demoraria entre 25 a 55 minutos pode ser reduzido para pouco mais de 5 minutos, segundo informação apresentada pela própria companhia em uma matéria do site G1 Tecnologia.


Além dessa modalidade, o iFood também criou a robô ADA, um veículo autônomo, 100% elétrico e ecologicamente correto que facilita a coleta de pedidos pelos entregadores do iFood em shoppings e condomínios.


“Buscar soluções não poluentes e que dinamizem a logística são fundamentais para melhorarmos a experiência como um todo e garantir um futuro com cada vez menos impacto no meio ambiente”, diz Fernando Martins, Head de Inovação no iFood.

Neste artigo você conferiu pontos como qual o conceito mais atual da logística no Brasil, qual o papel desse setor, seus desafios, potencial de modernização e muito mais.


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Redação | Movile Orbit