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Logística sustentável: por que precisamos discutir esse tema no país?


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A logística sustentável, que também pode ser chamada de logística verde, consiste em adotar práticas que garantam a eficiência desse setor, mas que, simultaneamente, protejam o meio ambiente.


Medidas para reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, diminuir o desperdício de insumos, impactar o mínimo possível fauna, flora, solo, água e ar são apenas alguns exemplos do que pode ser implementado para esse fim.


Um dos maiores desafios de logística no Brasil que precisa ser enfrentado para que um formato sustentável seja realmente adotado é o fato de o transporte rodoviário ser um dos mais utilizados por aqui, destacando que esse modal é um dos que mais emite poluentes.


De acordo com um estudo sobre transporte de cargas apresentado pelo Conselho de Infraestrutura da CNI, Confederação Nacional da Indústria, 62% de tudo o que é transportado no país é feito por rodovias, enquanto apenas 21% é realizado via ferrovias.


Mas ainda que seja o meio mais utilizado, as condições das estradas não são compatíveis com esse volume. Segundo o mesmo levantamento, somente 12% das rodovias nacionais são pavimentadas. Entre as asfaltadas, 60% foram avaliadas como regulares, ruins e/ou péssimas.


Além de prejudicar a dinâmica do setor, é preciso considerar que o estado atual das rodovias brasileiras também afetam a adoção mais ampla de uma logística sustentável, visto que podem resultar em um consumo maior de combustível e, consequentemente, mais queima de poluentes.


Para as companhias desse segmento se manterem competitivas, atualizadas e dentro de um conceito considerado “verde”, é preciso buscar formas de proteger o meio ambiente sem afetar negativamente suas atividades, considerando também que os consumidores esperam essa atitude das marcas.


A visão do público para o que é sustentável

Conforme apresentado na pesquisa “Perfil do Consumidor — Consumo Consciente", também da Confederação Nacional da Indústria, 31% dos brasileiros entrevistados estão dispostos a pagar mais por produtos fabricados em um conceito ambiental correto, o que inclui a redução da emissão de poluentes e diminuição da geração de resíduos.


Por outro lado, quando as empresas não atendem a essa exigência, o boicote às marcas estão se tornando comuns, tanto que 62% afirmaram tomar essa postura em casos de testes e maus tratos de animais, crimes ambientais, entre outros comportamentos relacionados que consideram inadequados.


A geração Z — que têm forte influência de compra em ambientes familiares e que tem sido alvo das empresas no que se refere à atração de talentos, por conta das suas características inovadoras — também prezam e valorizam ações sustentáveis por parte das marcas.


Uma pesquisa da Gente/Globosat revelou que 26% das pessoas que fazem parte desse grupo rejeitam produtos dependendo da maneira como eles foram produzidos.


Outro dado que complementa essa informação vem de um estudo encomendado pela Electrolux, o qual revelou que a geração Z será a responsável por liderar um futuro mais sustentável.


Com pensamentos mais verdes que as gerações anteriores, a pesquisa constatou que praticamente 100% dos jovens brasileiros entrevistados querem estar à frente de ações voltadas para a sustentabilidade.


Considerando o poder de alcance digital desse grupo, que usa a internet como ferramenta natural no seu dia a dia, torna-se ainda mais importante que as empresas ajustem seus processos para atender à necessidade citada, a fim de também evitar perda de público e/ou de espaço no seu ramo de atuação.


Não deixe de ler este artigo: “ESG em startups: negócios verdes chamam a atenção de investidores”.


A logística sustentável no Brasil

Quando se fala em produtos fabricados de forma ecologicamente certa, é preciso considerar que a logística também está incluída. Afinal, da obtenção de matéria-prima, até a entrega final ao cliente, todos os processos dependem do funcionamento correto de uma cadeia de suprimentos.


Por conta disso, não há como falarmos de logística sustentável sem citar que se adotar boas práticas para esse fim vai ao encontro do que o público espera das marcas.


Várias companhias já compreenderam essa importância e implementaram medidas para a entrega de uma logística verde. Alguns exemplos são:

  • Natura: a empresa brasileira de produtos cosméticos adotou dois conceitos. O primeiro é a logística reversa, que visa a reciclagem de suas embalagens para reduzir o impacto do descarte no meio ambiente. Já o segundo é chamado de “Carbono Neutro”, que diminui a emissão de gases poluentes da fabricação até o transporte;

  • O Boticário: a companhia brasileira de cosméticos e perfumaria otimizou a sua rota e logística de entrega e passou a utilizar combustíveis alternativos para reduzir a emissão de gases gerados por suas frotas.

  • Moova: a startup argentina investida pela Movile tem em seu modelo de negócios uma lógica verde. Conectando agentes logísticos com capacidade ociosa a empresas e clientes com demandas de transporte, eles conseguem reduzir até 40% de capacidade ociosa (que necessitaria de veículos adicionais), o que corresponde hoje a cerca de 200 veículos. Até 2030 a estimativa é que economizem a adição de 25 mil veículos nas ruas.


Leia também: “Tendências em logística last-mile para ficar atento(a)


Como tornar a logística sustentável real no nosso país

Conforme o estudo sobre transporte de cargas da CNI que citamos, investir em modernização, pavimentação e duplicação das rodovias são medidas essenciais para melhorar esse modal.


Enquanto medidas governamentais não são adotadas para esse propósito, as empresas podem (e devem) ajustar a sua logística para um conceito verde, o que pode incluir:

  • analisar com mais precisão o ciclo de vida dos seus produtos;

  • otimizar rotas de entrega e de distribuição;

  • utilizar combustíveis alternativos;

  • reconsiderar o material utilizado para fabricação das embalagens;

  • implementar planos de coleta e/ou reciclagem das suas embalagens;

  • manter a manutenção dos veículos em dia;

  • usar a tecnologia para roteirização eficiente e gestão logística;

  • utilizar tecnologias limpas;

  • tomar medidas para reduzir a geração de resíduos.


Aqui, vale destacar que algumas das vantagens de ter um processo logístico ecologicamente correto são:

  • atender às novas exigências dos consumidores;

  • aumentar o potencial de atração e fidelização da marca;

  • tornar o negócio mais atrativo para potenciais investidores;

  • contribuir para a proteção do meio ambiente;

  • ter um sistema de entregas mais eficiente, potencialmente demandando menos tempo;

  • possível redução de custos operacionais.


Este é um tema atual que precisa ser debatido nas empresas desde cedo, especialmente entre as que realmente visam um crescimento exponencial.


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Redação | Movile Orbit