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Liderança feminina: 8 lições de mulheres founders para conquistar espaço no mercado





A liderança feminina no Brasil ganha cada dia mais espaço e destaque. Entretanto, é fato que ainda há um longo caminho a ser percorrido pelas mulheres para que realmente consigam alcançar um equilíbrio entre o espaço ocupado por elas e pelos homens no mundo dos negócios.


Como exemplo dessa disparidade — especialmente em um ecossistema de inovação — podemos citar alguns dados apresentados no estudo inédito denominado “Female Founders Report”, realizado pela Distrito, em parceria com a B2Mamy e Endeavor.


De acordo com o levantamento, apenas 4,7% das startups são fundadas exclusivamente por mulheres, e somente 5,1% as têm como cofundadoras. Isso quer dizer que mais de 90% das startups são fundadas unicamente por homens.


Considerando apenas as scale-ups, a pesquisa apontou que 89,2% têm fundadores somente do sexo masculino, contra apenas 9,4% exclusivamente do sexo feminino.


Esses números confirmam que, em ecossistemas de inovação, a presença das mulheres ainda é bastante restrita. A boa notícia é que, mesmo assim, grandes nomes estão mudando esse cenário por aqui.


Luiza Helena Trajano, Cristina Junqueira, Fernanda Ribeiro, Camila Farani são ótimos exemplos de mulheres que garantiram seus lugares em espaços, até então, tipicamente masculinos.


Quais lições essas founders têm a transmitir para empreendedoras — e até empreendedores — sobre o papel da mulher como líder e como chegar lá?


8 lições sobre liderança feminina dadas por founders mulheres


Use a intuição + Seja transparente

Luiza Helena Trajano — empresária à frente da rede de lojas de varejo Magazine Luiza, na qual ocupa o cargo de presidente do conselho — foi eleita uma das cem pessoas mais influentes do mundo, em 2021, pela revista Time.


Ela também fundou e lidera o Grupo Mulheres do Brasil, que tem por propósito engajar a sociedade civil buscando melhorias para o país, e também fomentar o protagonismo feminino.


Durante a sua participação em um painel promovido pela Unilever, o qual foi citado em uma matéria do site Exame, Luiza destacou e defendeu que uma das principais diferenças entre a liderança feminina e a masculina, é que as mulheres conseguem criar empresas menos mecânicas.


Inclusive, para ela, a intuição é uma das características que formam boas líderes ― é boa para os negócios e ajuda a tornar as relações profissionais mais orgânicas.


Em uma live com Patricia Meirelles, fundadora e apresentadora do canal no YouTube que leva o mesmo nome, Luiza também destacou que “o líder não tem que se mostrar forte”.


O líder antigo, na empresa mecânica, ele não podia [demonstrar]. Por isso, os homens sofrem mais que nós. Não podia falar que estava se separando [...]. Tinha que ser profissional [...] Não queria ser super-herói ou Mulher Maravilha. Seja verdadeiro”.


Não espere o momento certo + Busque se destacar agora

Cristina Junqueira, cofundadora e CEO do Nubank, protagonizou uma das capas mais históricas e comentadas da Forbes, na qual aparece grávida a apenas três dias de dar à luz.


Representando a lista das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, é possível dizer que essa foto foi uma das maiores afirmações de liderança feminina — nas entrelinhas era possível ler uma mensagem mais ou menos assim: “Mulher, grávida, empreendedora e líder de uma das maiores empresas do país. É possível!”


Durante uma entrevista para Luciana Batista, sócia da Bain & Company, Cristina falou sobre como era trabalhar em um ambiente (de startups) tipicamente masculino, o qual ela destacou que é “algo que se aprende a lidar”.


A grande lição de liderança e posicionamento feminino passada por ela foi:

Eu falo também que não dá para esperar o mundo estar lindo e igual para então a gente avançar as nossas carreiras. A gente está aqui agora


Nunca desista + Se reinvente sempre que for preciso

Fernanda Ribeiro é COO da Conta Black, fintech que tem como foco a população negra do Brasil, e como objetivo facilitar o acesso a serviços financeiros às pessoas desbancarizadas que fazem parte desse grupo.


Além disso, ela também é fundadora da AfroBusiness Brasil, instituição sem fins lucrativos que visa criar mecanismos de integração entre empreendedores, de modo a fortalecer a economia e inclusão social da população negra.


Em uma entrevista para a revista Glamour, Fernanda destacou que, apesar de estar à frente de uma ideia de sucesso, ao participar de palestras em nome da Conta Black, precisa se provar sempre.


O fato é que, além de ser uma mulher ocupando uma posição de destaque em uma empresa da área de tecnologia e finanças, ela é jovem e negra.


Mesmo antes da fintech, Fernanda já havia enfrentado obstáculos por essas duas características, o que a levou a desenvolver Burnout, condição que a fez mudar totalmente de carreira.


Todo esse esforço deu certo, pois ela se tornou finalista do Prêmio Mulheres em Sampa de 2015.


Além desse, Fernanda foi vencedora dos prêmios EmpregueAfro Talentos da Diversidade, no ano de 2016; e do Citi Jovens Empreendedores em 2017. Já em 2019, foi reconhecida pelo governo dos Estados Unidos como mulher negra líder.


Dica de leitura: “Por que a diversidade deve ser tratada como meta nas empresas


Não se inferiorize + Não se deixe levar pelas estáticas

A investidora-anjo Camila Farani é uma cofundadora da G2 Capital, empresa que investe em negócios voltados para tecnologia, e também é uma das integrantes do programa Shark Tank Brasil.


Eleita uma das 500 personalidades mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea, multiplataforma de notícias de negócios, seu “currículo” conta com mais de R$ 40 milhões investidos.


Ela também acumula o título de ser a única mulher considerada a melhor investidora-anjo de acordo com o Startup Awards nos anos de 2016 e 2018.


Em 2020 Camila criou o “Ela vence”, hub de conteúdo, capacitação e conexão que tem como principal objetivo incentivar e impulsionar a participação das mulheres no empreendedorismo e nos cargos de líderes.


Durante sua participação em uma live para o canal do Youtube “Identidades de Sucesso”, Camila destacou que a mulher é historicamente tão boa quanto os homens, sendo que o único ponto que diferencia ambos é a questão biológica, tais como hormônios e a capacidade de gerar vidas.


Essas condições, somadas a diversos pré-conceitos acerca da habilidade feminina, tendem a causar nas mulheres a chamada “síndrome da impostora”, um sentimento de não ser capaz, de que tudo que conquistou foi por pura “sorte” e que, logo logo, alguém irá descobrir que você é uma farsa.


Em uma entrevista para a Bloomberg Línea, Camila deixou duas frases de bastante impacto. Uma delas diz respeito ao fato que, anos atrás, praticamente não existiam mulheres participando do conselho de empresas: “Mas se eu ficasse presa a estatísticas, eu não estaria aqui falando com você”.


A outra é “O mundo não vai parar pra te fazer carinho, mas a forma que você reage a isso faz a diferença”, como um recado direto para as mulheres líderes, ou que pretendem ser.


Leia também: “Como praticar a liderança transformacional no ambiente de trabalho?


A importância da liderança feminina para as empresas

E se alguém ainda tem dúvidas quanto a importância da liderança feminina para as empresas, vale destacar uma pesquisa feita pela consultoria McKinsey, a qual revelou que negócios que têm líderes mulheres lucram 21% a mais, em média.

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Redação | Movile Orbit