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Inovação: Se tivéssemos um pivô, ele provavelmente já estaria tonto

A história da PlayKids ilustra como aprendemos (na base do erro) a inovar com agilidade

A parede de inovação da Movile ilustra uma árvore de palavras, ícones e histórias dos vários significados que atribuímos à inovação

No futebol de salão, o pivô é um jogador da linha de ataque, responsável por girar e redirecionar a bola a novas oportunidades que aumentem as chances de gol do time. No mundo dos negócios, ouvimos muito falar em “pivotar” — seja o modelo de negócios, a estratégia do momento ou nas pequenas decisões do dia a dia, sempre buscando o melhor resultado final.


Não por coincidência, o movimento de testar, errar e pivotar costuma ser o pontapé dos momentos marcantes nas histórias de sucesso que conhecemos. Em um mundo que muda a cada dia e exige cada vez mais adaptabilidade dos profissionais e da tecnologia, testar novas hipóteses e estar continuamente “matando o próprio negócio” é uma questão de sobrevivência.


Na Movile, brincamos que de dez tentativas, oito ou nove serão frustradas, até que uma delas será grandiosa. Se tivéssemos um pivô, ele provavelmente sairia tonto de tanto girar a bola. A verdade dessa brincadeira é que são esses oito ou nove erros que nos colocaram no caminho dos acertos.


Por isso, trouxemos aqui um dos cases da nossa história que mais nos ensinou que as portas na cara são necessárias e parte fundamental do processo. Afinal de contas, não é de um dia para o outro que se constrói o maior ecossistema de empresas de tecnologia da América Latina.


Qual o próximo passo global?


A Movile nasceu da fusão de várias empresas brasileiras de VAS (Value Added Services). Vendíamos ringtones, integrações de SMS, wallpapers e serviços acoplados aos serviços de telefonia e nos tornamos líderes do setor na América Latina. Pensávamos então qual seria o próximo passo global. Até que em 2011, a popularização dos smartphones ganhou força e achamos que nosso modelo de negócios estava condenado à morte.


Isso levou o nosso time ao Vale do Silício — o grande celeiro da inovação na época. Em uma grande jogada de risco, nosso co-fundador Eduardo Henrique se mudou para o Vale sem saber ao certo quais seriam os próximos passos do negócio por lá.


Chegamos ao Vale, e agora?

Sabíamos como comprar empresas para expandir na América Latina, mas na época, no Vale do Silício, isso não funcionou — as startups eram muito caras ou investimentos de alto risco. Tentamos então levar para o mercado americano nossos melhores produtos da América Latina — e não tivemos sucesso nas vendas.


Testamos então o Ziwi, uma feature estilo loja de aplicativos integrada ao comportamento do usuário Facebook. Foram 6 meses de desenvolvimento em multiplataforma e, quando lançamos, mais um impasse — os usuários não gostaram. Aprendemos aí uma das lições mais valiosas que hoje compõe nossa cultura: inovar com agilidade. O erro não estava na ideia, mas sim em ter levado seis meses de desenvolvimento antes de testar.


Daí em diante foram novos projetos, com parceiros, maneiras de pensar o marketing e vários conhecimentos que tivemos que desbravar para entender o contexto mobile, que evoluía tão rápido no mundo todo.


Ao todo, foram quase 40 projetos lançados e fracassados, mas que combinaram uma série de aprendizados que integramos à Movile ao longo do caminho, fosse isso nas novas empreitadas ou até mesmo no que estávamos fazendo na América Latina — a nossa atuação e colaboração em ecossistema sempre esteve presente.


Uma luz no fim do túnel?


Em dado momento, a semente de ideia que se tornaria a PlayKids surgiu, com vídeos infantis licenciados em um aplicativo. Em cerca de 15 dias (aprendemos, não é?) estava no ar o “Canal Kids” que, para nossa surpresa, disparou não só em número de downloads como também em pagantes da assinatura do aplicativo. Somente a partir daí colocamos mais forças, investimentos e tempo em seu desenvolvimento.


Se em um primeiro momento a questão era achar a próxima oportunidade relevante e descobrir qual aplicativo ajudaria a reinventar o modelo de negócios da empresa, agora o problema era outro: fazê-lo crescer.


Levar a PlayKids para o mercado americano parecia fácil, mas foi somente com diversos ajustes de conteúdo, várias portas fechadas e muitos outros erros, que conseguimos de fato levar o App ao patamar que ele alcançou: estar presente em 187 países, com conteúdo disponível em 7 idiomas. No Brasil, o Leiturinha, clube de assinaturas de livros infantis, também se juntou à missão de apoiar os pais no desenvolvimento das crianças.


Por ser parte do nosso DNA não se conformar com bons resultados, em 2020 nosso pivô imaginário entrou em ação mais uma vez — com certeza já tonto com tantas mudanças que passamos no caminho. Uma célula de inovação foi criada dentro da empresa para testar jogos infantis. Uma série de erros depois, essa célula se transformou em uma nova empresa do Grupo Movile, com impacto global de 50 milhões de usuários mensais ao redor do mundo. Mas essa história quem contará é o Breno, CEO e Fundador da Afterverse.


Para ler o artigo do Breno sobre a criação de Afterverse, clique aqui.