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Fintechzação: toda empresa poderá se tornar uma fintech


fintechzação

Fintechzação é um termo utilizado para definir o movimento no qual empresas que não fazem parte do mercado de serviços financeiros passam a atuar também dessa forma.


Na prática, o core business do negócio se mantém, adicionando apenas a oferta de produtos financeiros pensados pontualmente para o público-alvo do negócio em questão.


Um bom exemplo de companhia que está atuando dessa forma é o iFood, líder no ramo de delivery de alimentos e uma das investidas da Movile. Em parceria com a Zoop, fintech que oferece tecnologia para desenvolvimento de serviços financeiros, e com a MovilePay, ambas também nossas investidas, o iFood criou o chamado “banco dos restaurantes”.


O “banco dos restaurantes” é um banco digital direcionado exclusivamente para os parceiros do iFood, ou seja, donos de estabelecimentos comerciais que usam a plataforma para a entrega dos seus produtos.


A solução oferece para esse grupo uma conta digital com todas as funcionalidades, além de cartão pré-pago e a facilidade de receber os valores das vendas feitas pelo app do delivery diretamente nessa conta.


Apenas com esse exemplo é possível ver que, ainda que o processo de fintechzação tenha maior incidência no varejo, vários outros setores podem embarcar nele, desde que tenham uma boa base de clientes que podem se beneficiar com a entrega de serviços e produtos financeiros personalizados para as suas dores.


O boom da fintechzação

É certo que a chegada das startups de serviços financeiros foi o que viabilizou o processo de fintechzação. Mas mesmo antes disso, redes varejistas já ofereciam ao seu público soluções financeiras próprias, a exemplo dos famosos carnês de crediários que foram utilizados por muito tempo.


Com a introdução de novas tecnologias, essas mesmas empresas puderam criar seus próprios cartões de crédito e, em seguida, contas digitais e até serviços como empréstimos, financiamentos e seguros, tudo levando as suas marcas.


O mercado de fintechzação é tão promissor que se expandiu para diversos outros segmentos. A Natura, por exemplo, empresa brasileira que atua no setor de produtos cosméticos, adotou a iniciativa de bancarizar suas consultoras. Para isso, criou a Conta Natura, com consulta de saldo, extrato, depósito, transferência, cartão pré-pago, entre outras funcionalidades.


Mas considerando o mercado mundial, a Business Insider destaca que o setor de finanças incorporadas é um modelo emergente com enorme potencial de crescimento, especialmente considerando que cada vez mais negócios não financeiros estão buscando por esse tipo de solução.


Segundo eles, a expectativa é que as empresas que adotarem essa estratégia atingirão um valor de capitalização global de US$ 7,2 trilhões até 2030.


Leia também este artigo: “Embedded Finance, a nova onda do mercado financeiro


As vantagens da fintechzação

“Fintechzar” um negócio consiste em incluir soluções financeiras ao portfólio de uma empresa, as quais serão disponibilizadas para os clientes, ainda que essa companhia não seja nativa desse setor.


Para o público da marca, uma das principais vantagens desse tipo de oferta é a possibilidade de conseguir acesso a produtos e serviços bancários personalizados, mais baratos e menos burocráticos.


Dependendo do grupo de consumidores atendido, ações como essa podem contribuir para a bancarização, o que também aprimora o relacionamento do público com a marca, visto que ela estará dando para essas pessoas uma oportunidade que os bancos tradicionais até então não deram.


Já para as empresas que aderem a esse conceito, os benefícios que mais se destacam são:

  • geração de nova fonte de receita;

  • redução de custos operacionais;

  • elevação do potencial de atração e de fidelização.


Geração de nova fonte de receita

Por oferecer serviços bancários próprios, as empresas têm a chance de obter uma receita extra proveniente da cobrança de taxas e tarifas pelas soluções disponibilizadas.


No entanto, para essa condição, é essencial considerar que esses valores precisam ser inferiores aos praticados por outras instituições financeiras, do contrário, os produtos não serão atrativos para o público-alvo e pode não haver a adesão esperada.


Redução de custos operacionais

Ao criar o seu próprio banco digital, a companhia pode usar essa solução também internamente, eliminando terceiros em diversas operações, a exemplo do fluxo de pagamento, conciliação bancária, split de pagamento, entre outros.


Com isso, é possível reduzir custos operacionais e aprimorar a gestão de controle financeiro do negócio.


Elevação do potencial de atração e de fidelização

Quando um negócio que não é financeiro cria um produto e/ou serviço voltado para essa área, tem a chance de desenvolver algo até então não pensado por instituições bancárias generalistas (ou seja, as que atendem grandes massas).


O motivo é que a empresa conhece de maneira mais profunda e próxima as dores do seu público. Com isso, consegue construir soluções que atendam a essas necessidades pontualmente, o que tende a atrair mais a atenção dessas pessoas.


Por consequência, quanto mais recursos o(a) cliente encontra em um único lugar, menores as chances de ele(ela) migrar para um concorrente, o que gera a sua fidelização.


A fintechzação é para todos os modelos de negócios?

Transformar uma empresa que não tem o core business no mercado financeiro em uma fintech é um processo válido tanto para quem atua no segmento B2B quanto no B2C.


Entretanto, existem alguns pontos que precisam ser considerados antes de buscar por uma startup de serviços financeiros para viabilizar esse conceito, e um deles são as regulamentações que envolvem esse mercado.


No Brasil, há duas regulações principais, a resolução nº 4.656 e a resolução nº 4.657, ambas instituídas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) do Banco Central (Bacen) em 2018.


A resolução nº 4.656 diz respeito aos modelos de negócios que essas empresas podem ter, que são Sociedade de Crédito Direto (SCD) e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP). Isso permite que as fintechs atuem de forma independente a um intermediário bancário.


Já a resolução 4.657 define quais atividades podem ser executadas, tais como operações de custódia, securitização e venda de direitos creditórios.


Quanto a esses pontos vale destacar que, em linhas gerais, a startup de serviços financeiros que ajudará no processo de fintechzação cuida de todos eles, fornecendo a tecnologia necessária em conformidade com todas as regras existentes.


Somada a essa questão, é necessário também analisar quanto essa oferta realmente será benéfica para os(as) clientes.


O iFood, por exemplo, antes mesmo da criação do “banco dos restaurantes”, havia criado com a tecnologia da Zoop soluções de pagamento próprias, a exemplo das máquinas de cartão para cobranças presenciais.


Esse recurso aprimorou o sistema de logística dos seus parceiros de negócio, bem como o seu processo de split de pagamento, que é a distribuição de valores entre os envolvidos em uma transação comercial.


Dica extra! Não deixe de ler este artigo: “Como implementamos o PIX com iFood, MovilePay e Zoop


Ou seja, por mais que a fintechzação sugira diversas vantagens, há algumas reflexões que precisam ser feita antes da adoção desse conceito, tais como:

  • Quanto clientes e parceiros de negócio realmente se beneficiarão com essa oferta?

  • Quanto a inclusão de produtos e serviços bancários ao portfólio gerará um diferencial competitivo para a empresa?

  • O que pode ser oferecido, nesse sentido, que os concorrentes ainda não estão entregando?


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Redação | Movile Orbit