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Fintech as a Service: estamos vendo a história se repetir?




Se você pesquisar pelo termo “fintech” no Google, com certeza vai se deparar com centenas de materiais que tentam explicar o “boom” do setor nos últimos anos. De fato, as fintechs representam a maior fatia da pizza do fluxo de capital de 2019. A América Latina como um todo recebeu um volume grande de aportes e, se olhamos para os unicórnios brasileiros que surgiram desse movimento, você vai perceber que uma grande parte trabalha com serviços financeiros. Em 2020, nos nove primeiros meses, US$ 939 milhões foram investidos no setor.

Por isso é que a diferenciação será o fator chave para que as fintechs retenham os clientes ou não. Num primeiro momento, a euforia foi grande para os(as) brasileiros(as) que viram uma outra possibilidade de serviço financeiro, mais descomplicada e rápida do que tinham até então. A partir disso, o movimento migrou para as empresas que também procuram serviços mais especializados para suas necessidades — e até que atendam a um nicho bem específico de mercado, apesar de não vermos falar tanto desse tipo de fintech.

E assim como já aconteceu antes com a tecnologia, o que vemos agora é que possivelmente estamos entrando numa era de Fintech as a Service, no sentido de oferecer essa possibilidade de democratização do sistema financeiro a qualquer empresa que estiver interessada. Se olharmos para trás, talvez o termo que você relacione de cara é o SaaS — Software as a Service. O sistema financeiro está passando por ondas bem similares à história do SaaS, que vamos tentar contar brevemente aqui.

Software as a Service é uma forma de disponibilizar soluções de software pela internet. Você só precisa da conexão e a empresa não precisa de todo o trabalho de instalar, atualizar e fazer manutenção de hardwares ou softwares, como era antigamente. Uma dor de cabeça. O uso de softwares, além de caro, era restrito à sua máquina — inclusive, lá nos primórdios, uma máquina compartilhada por times inteiros, porque as empresas não conseguiam prover computadores pessoais para cada funcionário. Se você precisava resolver um problema, essa resposta estava atrelada necessariamente a sair da sua casa, se deslocar até um local e utilizar de recursos físicos: um computador, o suporte da “pessoa de TI”, entre outros. Hoje em dia, apenas com a conexão de internet você pode utilizar um programa de qualquer lugar, com muita facilidade, e o suporte vem da própria empresa que desenvolve esse serviço.

Agora pense nas necessidades financeiras que você, como pessoa física ou representante de uma pessoa jurídica, teve que resolver há seis, sete anos. Provavelmente o processo foi o mesmo: saiu de casa, se deslocou, solucionou utilizando recursos físicos — seu gerente, um caixa eletrônico, uma papelada a ser assinada. Ou talvez você tenha tentado fazer isso pelo telefone por muitos minutos, até receber a resposta de que seu problema só poderia ser tratado presencialmente. E talvez, ainda, chegando lá, tenham te informado que o processo só seria possível em algumas dezenas de dias.

As fintechs estão começando a romper esse processo oferecendo serviços de maneira mais rápida e fácil. E algumas também estão oferecendo isso a pessoas jurídicas. Mas quem oferece essa possibilidade às fintechs? E se eu, hoje, resolver implantar um serviço financeiro no meu negócio (fintech ou não) para facilitar a experiência do meu cliente? Antigamente, como falamos, você tinha que ter todo um time de TI dedicado a desenvolver isso dentro de casa e mais um que lidasse com uma grande burocracia por trás do processo, até surgir o Software as a Service. Agora entramos no momento do Fintech as a Service.

Como grande exemplo, a Zoop, empresa do Grupo Movile, já consegue oferecer alguns serviços financeiros a outras empresas (de diversos setores, não somente fintechs) por meio dos seus APIs.

Fintech as a service já é uma realidade. Ter a possibilidade de implantar o sistema financeiro em qualquer lugar e democratizar esse acesso, ainda tão concentrado, já está acontecendo. Em alguns anos, talvez falar de “FaaS” seja tão comum quanto falar de SaaS, porque as empresas e os clientes só têm a ganhar com essa movimentação e, consequentemente, evoluímos em tecnologia e economicamente. Já carregamos uma história exemplar da disseminação do acesso a software, e acredito que, fazendo essa viagem ao passado, podemos também enxergar um futuro promissor.


 

Redação - Movile Orbit