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ENTREVISTA | Due Diligence: como funciona e qual a melhor maneira de se preparar para esse processo?

Entrevista com Guilherme Marin, Gerente Jurídico da Movile


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O processo de Due Diligence é essencial para empresas que estão em busca de investidores ou que têm a intenção de venda, fusão ou incorporação com outra companhia.


Por meio dele, é possível identificar os potenciais riscos que o negócio pode gerar para os seus envolvidos, a exemplo de compradores, fornecedores e demais stakeholders.


Tenha em mente que não se trata de uma auditoria, mas, sim, de uma análise e compreensão mais aprofundadas de diferentes aspectos de uma empresa, indo desde o setor financeiro, fiscal, jurídico, pessoal, chegando até os aspectos ambiental e tecnológico do negócio.


Na prática, o Due Diligence é uma maneira de fazer o comparativo entre o que a empresa se propõe a entregar e o que ela realmente entrega, bem como identificar qual o seu atual posicionamento no mercado de atuação.


Para Guilherme Marin, Gerente Jurídico da Movile, o momento ideal para a realização desse processo é quando a empresa dá início às primeiras rodadas de investimento.


“Mas quanto antes começar o Due Diligence e a se estruturar, maior agilidade e melhor impressão causará aos investidores. Importante que tal processo seja atualizado de tempos em tempos para se antecipar a eventuais pontos de atenção que possam ser levantados por eles”.


Os objetivos e as etapas do Due Diligence

O termo Due Diligence pode ser traduzido como diligência devida ou diligência prévia. O principal objetivo é a realização de uma busca e análise prévia de informações da empresa com um propósito específico, que podem ser:

  • avaliação de operações societárias: venda da companhia (total ou parcial), fusão, incorporação, cisão;

  • garantir o cumprimento de critérios de segurança: prevenção, mensuração e mitigação de riscos.


O ideal é que esse processo seja feito por uma consultoria especializada nesse tipo de diligência.


Quanto às etapas, elas podem variar de companhia para companhia e de acordo com a finalidade. Mas, em linhas gerais, contemplam:

  • planejamento: definição do escopo, objetivo, responsabilidades, áreas que serão analisadas e criação do cronograma;

  • levantamento: recolhimento dos dados gerados pela empresa pertinentes a essa ação, bem como a realização de pesquisas e reuniões;

  • avaliação: apuração das informações e dados coletados;

  • apresentação: entrega dos relatórios com as percepções obtidas, incluindo pontos críticos identificados, sugestão de possíveis ações de melhoria e outras medidas relacionadas.

Momentos em que o Due Diligence pode ser usado para o crescimento de um negócio

“Um processo de Due Diligence bem estruturado e constantemente atualizado gera uma boa impressão a todos os stakeholders, sejam eles, clientes, advisors etc. Esse, com certeza, é um dos itens que poderá contribuir para o crescimento e o sucesso da empresa”.


Inclusive, os pontos identificados durante esse processo podem (e devem) ser usados para potencializar a evolução do negócio, conforme destaca Marin:

Todo ponto de atenção é sempre um aprendizado para que uma empresa corrija sua rota de atuação, pois um item identificado, normalmente, demonstra uma provável melhoria que deve ser realizada nos processos da empresa e que, se corrigido, facilitará que esta siga com suas operações de forma mais estruturada, evitando um dispêndio de energia em questões que não são objeto de seu core business”.


Tipos de Due Diligence que podem ser realizados

Existem diferentes tipos de diligência que podem ser realizadas, tais como:

  • Compliance: identificação da conformidade da empresa com as leis que a rege;

  • Financeira e Contábil: verificação do histórico do desempenho econômico;

  • Trabalhista: análise das práticas adotadas no setor de Recursos Humanos e Departamento Pessoal;

  • Ambiental: análise do impacto das atividades empresariais no meio ambiente;

  • Tecnológico: verificação da segurança da informação e tratamento de dados transacionados;

  • Jurídico: verificação dos passivos judiciais da companhia;

  • Propriedade Intelectual: análise de marcas, patentes, bens intelectuais e direitos autorais do negócio;

  • Imobiliário: apuração das documentações relativas aos imóveis adquiridos ou a serem adquiridos pela empresa;

  • Valuation: verificação do valor da organização para definição do seu preço de compra.

Como se preparar para o Due Diligence e quais erros evitar

“Os empreendedores podem se preparar para esse processo contratando, quanto antes, assessores para mapear e apresentar um plano de ações.


Um dos erros mais frequentes é a falta de informações ou demorar em dar disclosure das informações solicitadas durante o processo. Isso, inevitavelmente, poderá atrasar, por exemplo, uma rodada de investimentos, reduzir o valor aportado ou incluir obrigações nos documentos definitivos para proteção contra eventuais ‘surpresas’ que essa falta de disclosure poderia gerar”.


A real importância desse tipo de diligência

A realização de uma diligência devida é importante tanto para a empresa quanto para potenciais investidores e/ou compradores.


Para a companhia em si, é uma maneira de ter uma visão ampla, completa e realista dos seus processos. Com isso, é possível identificar com clareza e precisão o que está dando certo e o que precisa ser ajustado, melhorando assim consideravelmente a gestão e fomentando seu crescimento.


Nesse cenário, é possível reconhecer diferentes questões, por exemplo:

  • posicionamento da marca no seu mercado de atuação;

  • tendência de expansão;

  • situação financeira, contábil, jurídica, fiscal e de outros setores que podem ser avaliados;

  • pontos positivos e negativos do negócio.


Já da parte dos interessados, esse tipo de processo é essencial para uma análise realista dos potenciais riscos que envolvem o negócio, sua expectativa de crescimento, projeção de mercado, como são os processos internos e outros critérios que podem interferir na tomada de decisão.


Outros pontos nos quais o Due Diligence pode ajudar uma empresa

Se considerarmos as mudanças de expectativas do público nos últimos tempos — principalmente no que se refere a mais responsabilidade ambiental e social por parte das companhias — uma dúvida que fica é quanto um processo de Due Diligence pode ajudar para que as marcas se adequem a essas práticas e, com isso, conquistem mais clientes e tenham a chance de elevar o seu volume de vendas e faturamento.


Sobre isso, Marin destaca que:


“A agenda ESG cada vez mais será exigida das empresas e deveria ser responsabilidade de cada um de nós também, pois uma companhia responsável transmite a seu público confiança e identificação e, consequentemente, gera maior retorno, seja ele na forma de novos investimentos, incremento nas suas receitas, clima organizacional melhor, o que atrairá cada vez mais talentos”.


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Gerente Jurídico na Movile, Guilherme tem mais de 15 anos de experiência em direito societário e M&A. Antes de ingressar na investidora, passou pela Accor, Bradesco e alguns escritórios de advocacia, como Koury Lopes Advogados (KLA) e Felsberg Advogados. O executivo é graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, tem especialização em Direito Societário pelo Insper e MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)