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Crescimento acelerado de startups: quais os principais riscos e desafios para o futuro do negócio?


crescimento acelerado de startups

Um antigo estudo da Interbrand, consultoria global de marcas, apontou a receita para o crescimento acelerado de startups. Segunda a companhia, a fórmula consiste na somatória de três vertentes: propósito claro, modelo de operação relevante e diferente dos concorrentes e poderosa experiência do consumidor.


Mas se por um lado parece ser relativamente simples para uma startup crescer, por outro é preciso considerar que quanto mais acelerado for esse ritmo, mais riscos e desafios ele traz.


Nos últimos tempos, a desaceleração nos investimentos em startups tem chamado a atenção para o fato que os unicórnios foram os mais atingidos. Em contrapartida, o volume de recursos destinados a empresas em estágios iniciais aumentou.


De acordo com dados do Distrito, apresentados em uma matéria do site CNN Brasil, as startups iniciantes receberam US$ 282 milhões em rodadas do tipo seed e US$ 1,39 bilhão no tipo early stage ao longo do primeiro semestre de 2022.


Para que fique mais claro esse crescimento, no mesmo período de 2021 foram investidos US$ 151 milhões e US$ 1,23 bilhão respectivamente.


Já as que se posicionam em estágio avançado foram de uma captação de US$ 3,87 bilhões entre janeiro e junho de 2021, para US$ 1,24 bilhão no mesmo período de 2022.


Sobre isso, vale destacar que a quantidade de aportes nas early stages cresceu porque são cheques de valores consideravelmente menores do que os destinados a unicórnios, que são rodadas tipo C, D em diante, cujos valores são significativamente mais expressivos.


Por razões como essa que acabamos de citar é que o crescimento acelerado de startups pode até trazer títulos e status relevantes. Entretanto, a estruturação de uma empresa mais sólida e com expansão sustentável, ao que tudo indica, tende a ser bem mais relevante para o futuro do negócio.


Riscos do crescimento acelerado de startups

O crescimento acelerado de startups, ainda que confira a essas companhias nomenclaturas significativas, como o tão sonhado título de unicórnio, é cercado de riscos e desafios para fundadores e investidores.


Entre os obstáculos que podem surgir durante uma expansão rápida — e que podem ser significativos para a continuidade do negócio — estão:

  • falta de preparo dos fundadores;

  • queima de capital;

  • perda de qualidade;

  • dificuldade de gerenciamento;

  • problemas de compliance e governança.


Falta de preparo dos fundadores

A falta de preparo dos fundadores não está, necessariamente, relacionada à ausência de conhecimento sobre o produto e/ou serviço oferecido, mas, sim, à carência ou inexistência de experiência para estruturar e manter um negócio de grande porte.


Partir do zero para uma companhia avaliada em milhões — e, em alguns casos, em bilhões — pode fazer com que os idealizadores se percam em pontos como foco, propósito e alinhamento.


Queima de capital

Outro importante fator de risco no crescimento acelerado de startups é a queima de capital de forma desordenada.


Em linhas gerais, quando se busca investimentos, os fundadores da empresa já têm uma ideia de gasto para o capital que entrará.


Porém, na ansiedade de garantir um crescimento visível aos olhos dos investidores, há o perigo iminente de o direcionamento desse valor contemplar áreas que não precisam de injeção de capital, limitando aquelas que fariam diferença para um real avanço da companhia.


Dica de leitura: "ENTREVISTA | Fundraising: como traçar a melhor estratégia de captação de recursos?"


Perda de qualidade

A qualidade dos produtos, serviços ou soluções oferecidas ao público-alvo pode ser afetada se matéria-prima, processos, equipamentos e mão de obra não acompanharem, na mesma proporção, o crescimento acelerado de startups.


Em outras palavras, significa que para crescer de maneira sustentável, de modo que essa alavancagem possa ser sustentada, é essencial que todos os setores estejam devidamente alinhados e, preferencialmente, que avancem no mesmo ritmo para que se mantenha o equilíbrio do negócio.


Dificuldade de gerenciamento

O desafio anterior tem conexão direta com este, que é a dificuldade de gerenciamento que pode surgir quando uma startups cresce de forma acelerada.


Uma das razões é que, durante o processo de expansão, alguns setores podem ficar desconexos ou não acompanharem o mesmo ritmo.


Aqui, a questão da queima de capital que citamos (direcionamento inadequado de investimento, cobrindo uma área e descobrindo outra) pode ser um ponto agravante, assim como a falta de preparo dos fundadores.


Problemas de compliance e governança

A definição de startup é uma empresa que surge com base em uma ideia diferente, em condições de extrema incerteza, porém, escalável. O fato é que esse cenário, muitas vezes, pode não ser condizente com as legislações já vigentes.


Uma fintech, por exemplo, por mais que esteja vivendo um crescimento exponencial, pode se deparar com obstáculos que como ausência de regulamentações para a entrega dos seus produtos e/ou serviços aos clientes finais.


Quando isso acontece, por mais que tenha recebido uma injeção de capital significativa que alavanque o negócio, toda a estratégia de expansão pode ser comprometida se houver problemas de compliance e de governança.


Por essa razão é tão importante considerar questões regulatórias, independentemente do modelo da startup (ou seja, não somente as do setor financeiro) antes de buscar, a todo custo, seu crescimento expressivo em valuation.


Leia também: "Investimentos em fintechs: ainda há espaço nesse mercado?"


Como se preparar para o futuro?

O cenário atual pede cautela. A Y Combinator, aceleradora de startups dos Estados Unidos, enviou uma carta para as suas investidas com uma série de recomendações que devem ser tomadas neste período de incerteza.


Citadas em uma matéria do site Exame, as orientações contemplam conservar o caixa, de modo que isso garanta a sobrevivência da empresa com os recursos que já foram obtidos, e reduzir custos. A aceleradora também sugere mudança de planos, ainda que a startup esteja indo bem.


Por aqui, Gustavo Galli, Diretor de FP&A e Relações com Investidores da Movile, em uma entrevista para o Movile Orbit, também sugere cautela, visto que os investidores estão menos propensos a investir capital em companhias em fase de crescimento.


O repensar da estratégia, segundo Galli, também envolve preservar o orçamento como meio de se preparar para rodadas de investimento reduzidas.


Em resumo, por mais que alcançar status como o de unicórnio seja significativo para uma startup, é preciso ter em mente que títulos como esse podem ser voláteis. Por outro lado, empresas construídas em bases sólidas, ainda que a passos mais lentos, tendem a ter tempo de vida muito mais longo.


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Redação | Movile Orbit