• Redação

Como implementamos o PIX com iFood, MovilePay e Zoop

O bom alinhamento entre equipes multidisciplinares é um dos maiores desafios das startups. Em fintechs, isso pode ser ainda mais intenso.


Temos observado uma mudança expressiva no comportamento do consumidor com as inovações que estão tomando forma no sistema financeiro. Em especial, a adoção do PIX teve índices surpreendentes — em seis meses, ele se tornou o sistema de pagamentos instantâneos com adesão mais rápida no mundo, segundo o Banco Central (seguido de Chile e Dinamarca).


Como era de se esperar, a corrida entre bancos, fintechs e outros players do sistema financeiro para habilitar o PIX em suas plataformas foi intensa. Aqui na Movile, ela rendeu aprendizados valiosos.


Primeiro, acho que vale um contexto: temos duas fintechs atualmente no Grupo — a MovilePay (o banco dos restaurantes, que já oferece conta digital e serviços de crédito para a base de restaurantes iFood) e a Zoop (que trabalha com fintech as a service e possui toda a base regulatória e tecnológica para que empresas de qualquer setor possam oferecer serviços financeiros de forma white-label). Ambas têm integração de seus serviços com o iFood, também empresa do Grupo. Esse é um exemplo da sinergia entre os negócios do ecossistema que tanto falamos, uma receita poderosa.


Nosso objetivo era implantar nas empresas essa nova forma de transacionar dinheiro, que chegou sacudindo o sistema financeiro brasileiro ao permitir pagamentos e transferências de valores em até 10 segundos, todos os dias da semana e em qualquer horário. Mas como alinhar times de três empresas diferentes, para fazer isso acontecer?


Bom, não é segredo que a gestão de equipes multidisciplinares é um dos maiores desafios das startups. Em fintechs, isso é ainda mais intenso, considerando que, além do ambiente interno, temos dependência de players externos e uma estrutura regulatória complexa. Mas, para facilitar o processo, essas dificuldades podem ser categorizadas e endereçadas de forma sistêmica, como vou explicar a seguir.


Alinhamento de Expectativas


O desafio

Quase sempre as pessoas têm expectativas diferentes sobre as entregas de um projeto. Isso porque cada uma tem metas próprias a atingir, óticas diferentes sobre um mesmo problema e histórias muito particulares.


A estratégia

Estabelecer os critérios de sucesso com o time do projeto no início — isso ajuda a alinhar as expectativas com os envolvidos e aumenta o senso de dono de cada um.


No projeto Pix

Durante o projeto, tínhamos times de Regulatório, Produto, Riscos e Tecnologia, além de fornecedores externos, Banco Central, entre outros. Para auxiliar no alinhamento geral entre as empresas do Grupo, implantamos a Weekly Fintech Leadership , nosso rito semanal de acompanhamento que acontece até hoje, onde participam representantes de quase todas as áreas das empresas para abordar riscos e planos de ação relacionados ao tema.


Foco claro


O desafio

No meio do caminho, as pessoas desviam do foco inicial em prol de novas “prioridades” (pequenos incêndios) que surgem. Quanto maior a quantidade de pessoas envolvidas, maior a chance disso acontecer.


A estratégia

Tão importante quanto dizer “o que vamos fazer”, é dizer “o que não vamos fazer” — com frequência e relembrando os porquês do projeto. Isso evita que parte do time assuma pormenores desnecessários, o que pode gerar uma grande confusão. Pragmatismo aqui é muito importante.


No projeto Pix

Estruturamos o time de Produto para ter uma visão 360º sobre o produto que seria lançado, incluindo visão de negócio, regulatória e de tecnologia. Como apoio, adotamos metodologias de gestão conhecidas no mercado, para auxiliar no foco e disciplina do time. Por aqui utilizamos Scrum com os times de Tecnologia e Produto, além de um modelo de gestão compartilhado por todas as empresas do grupo há anos, com ritos periódicos entre a liderança.


Ruídos de Comunicação


O desafio

É importante acordar as regras do jogo com as partes interessadas e questionar se estão confortáveis com a proposta de comunicação. Parece óbvio mas não acontece naturalmente. Especialmente durante a pandemia, se tornou ainda mais importante alinhar muito bem a mensagem, a frequência (nem comunicação demais, nem de menos) e o canal de comunicação com o time do projeto.


A estratégia

A pandemia escancarou que a melhor estratégia é o bom senso. Agrega valor? Comunique! Não agrega valor? Não comunique. Na dúvida? Comunique, melhor excesso do que falta. Por aqui temos como prática comunicar semanalmente no nível tático e mensalmente no nível estratégico.


No projeto PIX

Fomentamos o senso de dono do time do projeto e estabelecemos um canal aberto com as pessoas-chave, para estimular que trouxessem à tona as preocupações (que são facilmente camufladas na correria do dia a dia).


Para otimizar a comunicação, implementamos o Scrum, com sprints quinzenais, reuniões diárias de 15 minutos e revisão/planejamento sempre ao término e início de uma nova sprint e papéis bem definidos. Além disso, os papéis de Scrum Master, Product Owner e Scrum Team também são bem definidos:



Um exemplo de como alinhamos todas as partes sobre nossos ritos

É claro que o processo é penoso e cheio de erros pelo caminho — por aqui não foi diferente. Mas hoje, com o projeto entregue e a implementação do PIX finalizada, ele vem dobrando sua participação mês após mês, tanto como meio para transacionar dinheiro no Banco dos Restaurantes, como quanto método de pagamento no iFood.


Temos a certeza de que estamos vivendo um grande momento de modernização do sistema financeiro e que o projeto PIX foi apenas um de vários que virão (oi, Open Banking!). Esperamos que os grandes aprendizados que tivemos por aqui ajudem outras startups e fintechs a navegarem por essas mudanças com agilidade.


E você? Alguma experiência no universo de meios de pagamento que está em plena transformação para compartilhar? Responda aqui nos comentários e vamos nos falar!


 

Mariana Kasza é Strategic Project Manager da Movile