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Adaptação ao modelo híbrido de trabalho: como lidar com equipes 50% remotas?

(Ou mais!)



Em 2020, para muitos, o escritório foi adaptado para a sala de casa. As horas de trabalho também precisaram ser adaptadas, para acomodar a família, suportar a educação dos filhos e as novas rotinas de pandemia. Mas, acima de tudo, adaptamos a comunicação — passamos a entender o que significa assincronia e como não responder uma mensagem em tempo real pode ser um sinal de respeito ao outro, por exemplo.


Se no ano passado vimos o mundo do trabalho girar de ponta cabeça para se adaptar a um modelo imposto — o tão falado “novo normal” — 2021 é hora da reinvenção acontecer de forma estruturada e pré-planejada. Isso porque quando fomos forçados a trabalhar de casa sem a menor preparação prévia, a abertura à vulnerabilidade e à participação ativa das pessoas guiou as tomadas de decisão. Demos um “jeitinho”. Mas agora os futuros modelos de trabalho precisarão ser pensados para evitarmos os mesmos erros.


À distância, as equipes se viram obrigadas a fortalecer a comunicação. Não somente aumentá-la, mas torná-la eficaz — apesar de, em um primeiro momento, termos aprendido da pior maneira que menos é mais. Em um cenário onde 100% das pessoas estão remotas, tudo passou para o digital e, com o tempo, aprendemos a lidar com os desafios que isso trouxe.


O modelo de trabalho remoto foi então “validado”, percebemos que funciona para a maioria das pessoas. E após quase um ano de pandemia, temos empresas que estão começando a abrir os escritórios, algumas declararam home office permanente, outras abriram a flexibilização como possibilidade e vemos até mesmo o número crescente de contratações remotas.


Trabalhar de onde desejar se tornou premissa para muitos funcionários e o escritório terá que ganhar nosso coração novamente. Mas, para muitos outros, a figura do escritório se tornou quase que um refúgio, onde a produtividade acontece longe dos latidos e pedidos de atenção das crianças.


E, apesar de parecer o mesmo cenário, o modelo híbrido (onde parte dos colaboradores escolherá ficar de casa e parte não) traz mais desafios do que o que vivemos até agora. Estamos nos antecipando e nos preparando proativamente para lidar com eles?


Se um está remoto, todos estão remotos


O trabalho remoto de verdade parte da premissa que tudo e todos podem estar em qualquer lugar e ter acesso às mesmas informações e estrutura necessária para exercer suas funções. A regra primordial é que se um está remoto, todos estão remotos.


Na prática, em um modelo híbrido, isso significa dar tchau àquelas trocas de informação entre baias de trabalho e dar como resolvido um assunto debatido nos 15 minutos do cafézinho. Se alguém decidiu estar na praia, precisa ter oportunidades iguais de participar de decisões. Novamente: se um está remoto, todos estão remotos — a dinâmica de trabalho precisa acontecer virtualmente, sem exceções.


A estrutura precisa acompanhar e os ritos de cultura e gestão de time se tornam ainda mais essenciais


Para que consigamos conciliar o presencial e o remoto, a estrutura disponível precisa acompanhar. Aqui falamos, claro, de tecnologias — unificar o canais oficiais de trabalho (como email, Slack, Drive) é essencial, não podemos ter informações sendo trocadas de maneira aleatória.


Mas esse aspecto compreende também os ritos de gestão de time que suportam o modelo híbrido. Check in nas reuniões, pontos de contato pensados e bem estruturados para serem eficazes (acho que concordamos que ninguém aguenta mais um monte de reuniões virtuais, então vamos fazer valer o tempo), métodos de acompanhamento assíncrono de atividades e pequenos ritos que ajudem a ditar o ritmo do time são alguns exemplos de estruturas que precisam ser pré-pensadas para garantir que as interações não se percam e que o engajamento do time prevaleça.


Os momentos de criatividade precisam ser repensados


Já pensou se você pudesse dedicar apenas uma semana da sua agenda a fazer reuniões e ficasse livre para trabalhar de maneira focada e produtiva no resto?


Segundo relatos de alguns gestores, o home office forçado impôs uma dificuldade de fazer boas coincidências acontecerem pela interação das pessoas — momentos de criatividade e inovação espontâneos, como defendia Steve Jobs. Até tentamos fazer isso virtualmente, mas você há de concordar que a interação se torna bem mais travada. No entanto, o modelo híbrido nos permite pensar esses momentos de criatividade e construção com mais cuidado e estratégia.


Reuniões pouco produtivas e sem objetivo muito certo não são uma possibilidade quando metade dos seus colaboradores estão em outros locais e países. Isso nos deixa mais críticos quanto à presença física — o que nós poderíamos fazer se estivéssemos juntos em um mesmo espaço?


A resposta dessa pergunta vai encurtar as horas de call da sua agenda. Gustavo Vitti, CPO do iFood, falou sobre como potencialmente pretende aproveitar os momentos com o time num futuro: juntando todo mundo em um lugar legal, fazendo pizza para essa galera e construindo ali a estratégia do ciclo intensamente durante um curto período de dias. Depois disso, todo mundo para suas casas (ou onde quer que você queira trabalhar) e execução para fazer os planos acontecerem.

Escute abaixo:



Construção de time, engajamento e planejamento — tudo junto e condensado em uma semana de intensidade bem pensada que pode render frutos inimagináveis para os resultados almejados.


Antecipar as potenciais dores de adaptação que seu time terá, repensar nossas interações e cultivar momentos de mais intenção e presença podem mudar o jogo para 2021 e, quem sabe, para os outros anos também.


E você, gestor ou gestora, já parou para pensar nisso? Deixe aqui nos comentários suas percepções!


 

Redação - Movile Orbit