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  • Redação

Como apoiar a criação de mais startups lideradas por mulheres? 3 fundadoras dividem suas apostas

Cris Miura da Pontue, Luciana Ramos da Cash.in e Gabriela Lea da Unbox compartilham lições de carreira para que mulheres prosperem no setor de tecnologia



Fotos de Cris Miura, Luciana Ramos e Gabriela Lea com um filtro rosa e roxo por cima
Como apoiar a criação de mais startups lideradas por mulheres? 3 fundadoras dividem suas apostas

É raro ouvir uma pauta de tecnologia em uma roda de amigas, por exemplo, enquanto isso é bem mais comum para homens, pelo simples fato de eles já estarem inseridos nesse mercado em uma proporção muito maior (...). O acesso ao ecossistema não é óbvio para nós.

Não é preciso muita pesquisa para notar que a presença feminina no setor de tecnologia é escassa. Tanto entre papéis mais técnicos quanto na gestão das empresas de tecnologia - e até mesmo dentro das salas de aula nas universidades - as mulheres têm sido minoria há anos.


Dentre as startups brasileiras, apenas 5,1% têm uma mulher entre seu quadro de fundadores(as). E, ainda dentro dessas, a representatividade é baixa - 76,7% são mulheres brancas e 87,5% heterossexuais.


Ter uma liderança feminina na empresa aumenta em até 11% a equidade de gênero dos quadros societários¹. E muito além - um estudo da Kauffman Fellows de 2019 mostrou que empresas com ao menos uma fundadora e uma mulher no C-Level empregam até 6 vezes mais mulheres. Apesar disso, ainda temos um aumento de startups co-fundadas por mulheres pouco expressivo.


¹ FEMALE FOUNDERS REPORT 2021

Gabriela Lea (COO e co-fundadora da Unbox), Cris Miura (CEO e co-fundadora da Pontue) e Luciana Ramos (CEO co-fundadora da Cash.in) estão fazendo sua parte para reverter esse cenário. As três são fundadoras de startups brasileiras e estão na rede do WE Impact, uma venture builder dedicada a mulheres líderes de startups, que tem como propósito tornar o ecossistema mais inclusivo e inovador.


Em conversa com o Movile Orbit, elas compartilharam dicas preciosas para que mais mulheres ocupem cadeiras no setor de tecnologia. Mas também lançaram seu olhar para o outro lado da mesa - abrindo sua visão sobre como fundos e outros investidores podem ajudar esta pauta a avançar.


MOVILE ORBIT: O que impede uma mulher, hoje, de começar um negócio em tecnologia e construir essa história de sucesso? Qual dica ou aprendizado da sua carreira poderia ser importante para uma mulher que esteja nessa posição?


Cris Miura: Para fundar uma startup de tecnologia, existem dois caminhos mais prováveis: ou a sua formação é em tecnologia, ou você convive com pessoas que têm vivência neste mercado e passa a enxergá-lo como uma possibilidade.


Entre nós, mulheres, há uma maior tendência a estudar as áreas de Humanas do que Exatas e Tecnologia, e isso é influenciado por vieses subjetivos relacionados ao gênero na nossa sociedade. Do outro lado, também é raro ouvir uma pauta de tecnologia em uma roda de amigas, por exemplo, enquanto isso é bem mais comum para homens, pelo simples fato de eles já estarem inseridos nesse mercado em uma proporção muito maior.


Ou seja, para que uma mulher se torne uma empreendedora de startup, ela precisa buscar muito mais ativamente por isso. Essa informação, em geral, não chega a ela de maneira natural - o acesso ao ecossistema não é óbvio para nós.


Pelo contrário, trata-se de um ambiente bastante misógino e marcado pela exclusão. O maior exemplo fica claro ao participar de eventos. Vivi um caso em que, entre 120 pessoas, só havia 5 mulheres, sendo que duas faziam parte da organização do evento – eram apenas 3 empreendedoras contando comigo.


Nos últimos 4 anos, começaram a surgir com mais força redes e VCs que apoiam o fortalecimento da liderança feminina, como a WE Impact, e a formação de mais mulheres em tech. Minha dica para empreendedoras que estão começando é se conectar a ambientes como esses. Assim, vão começar a ouvir histórias sobre outras mulheres que, em condições parecidas, chegaram lá e estão ocupando esse espaço.


A representatividade é essencial na nossa jornada como seres humanos, não apenas no mundo dos negócios, porque ela nos empodera e nos fortalece.


Gabriela Lea: O empreendedor tem um grande desafio de tomar muitas decisões enquanto ainda está aprendendo e se aprofundando no assunto.


Diante desse contexto, acredito que é essencial separar tempo para se atualizar, conhecer boas fontes, buscar comunidades, buscar referências de empreendedores(as) mais experientes e estar sempre estudando de forma direta e indireta, para conseguir ter bagagem técnica para resolver problemas e seguir nos melhores caminhos para o seu negócio.


Luciana Ramos: Sempre se posicione, fale com propriedade sobre o seu modelo de negócios, se prepare e esteja armada com resultados aplicáveis. Mostre que você possui conhecimento sólido no nicho que você empreende. O conhecimento ajuda a barrar o preconceito de gênero. Não desista - se você tem a certeza de que seu produto é bom, se sabe que ele resolve uma dor do mercado e que você faz esse serviço muito bem, persista.


Tem muitas alternativas no mercado de empresas para ajudar. E nem estou falando apenas de dinheiro, mas também de consultoria, conselhos, compartilhamento de experiências, Una-se a outras empreendedoras mulheres, executivas mulheres, gestoras, CEOs e organizações de fortalecimento ao empreendedorismo feminino e de apoio a novas entrantes.

MOVILE ORBIT: Olhando para o outro lado da moeda - o ecossistema de startups como um todo (fundos, aceleradoras, bancos, investidores, etc) - como podem impulsionar mais negócios comandados por mulheres e o que, na sua opinião, falta para isso acontecer?


Luciana Ramos: Eu diria para apostarem em programas de aceleração, captação de recursos e de investimento focados no empreendedorismo feminino, dar prioridade para organizações que possuam essa consciência, de respeitar os seus objetivos de negócios e lutar por eles.


Gabriela Lea: O ecossistema como um todo pode incentivar e criar iniciativas como meetups, comunidades e eventos para gerar essa troca e gerar mais proximidade entre fundadoras e outros agentes do ecossistema. Estratégias como essas criam valor na jornada delas, expandindo a conexão entre fundos, investidores e outros players diretamente com as fundadoras.


Cris Miura: Quando falamos de mudanças sócioculturais, estamos falando de vieses e crenças. As regras vêm para viabilizar essa mudança. Há pouco tempo, não havia obrigatoriedade em usar capacete ao andar de moto, não era proibido fumar em locais fechados. As leis foram estabelecidas e, hoje, mesmo que não tivessem mais validade, muitas pessoas ainda as seguiriam, pois já se tornaram um hábito.


Por isso, acredito que a solução é criar iniciativas focadas no fomento a lideranças femininas e formação de mulheres em tech – metas de participação feminina em chamadas, painéis, mesas redondas, criação de conteúdos; mas que sempre levem em conta a realidade feminina no Brasil, na qual mulheres ainda são majoritariamente responsabilizadas pelos cuidados com a casa, filhos, etc.


É preciso que movimentos intencionais instituam essa obrigatoriedade e condições favoráveis agora para que, com o tempo, isso se torne orgânico. E, claro, nunca podemos esquecer da interseccionalidade nesse processo.


A verdade é que não existe almoço grátis: não tem como tirar um negócio do papel, fazer ele escalar, se não tiver dinheiro em caixa. Nós temos muita dificuldade de acesso a capital, e apenas a intencionalidade poderá mudar isso.

 

Redação Movile Orbit







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