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Demissões em massa nas startups: o que isso significa para o futuro das startups?


demissões em massa nas startups

Uma das notícias que mais circulou na mídia nos últimos tempos foram as demissões em massa nas startups. Grandes nomes, inclusive unicórnios, demitiram de uma única vez centenas de profissionais.


Segundo dados da plataforma Layoffs Brasil, criada para ajudar profissionais de tecnologia a se recolocarem no mercado de trabalho, aproximadamente mais de três mil desligamentos já aconteceram desde que esse processo começou no início de 2022.


O que chama a atenção é que as demissões em massa nas startups começaram logo após um período de intenso investimento nessas empresas.


Segundo dados do relatório "Panorama Latam", da Movile, entre os anos de 2017 a 2021, as startups brasileiras receberam US$ 17.517 bilhões em aportes, resultado de 2.569 deals. Desse montante, US$ 8.785,8 milhões e 751 deals foram apenas no ano de 2021, os maiores números do período analisado pelo levantamento.


Mas, ainda assim, a dispensa de profissionais aconteceu, decorrente de fatores como aumento das taxas de juros, inflação e a guerra da Ucrânia, o que levou a uma instabilidade econômica global, desaceleração dos investimentos nas startups e à necessidade dessas empresas em reduzir custos e realinhar orçamentos.


A pergunta que fica, no entanto, é se esse cenário é passageiro ou não, e quanto isso se refletirá no futuro dessas companhias.


Fatores que resultaram nas demissões em massa nas startups

As demissões em massa nas startups não aconteceram apenas no Brasil. A Netflix, por exemplo, demitiu 216 profissionais dos escritórios dos Estados Unidos e do Canadá, além de mais 100 entre Europa, Ásia e América Latina, segundo informado em uma matéria no site Tilt UOL.


Ou seja, na verdade, trata-se de um momento pelo qual diversos países estão passando, e dois motivos que potencializam esse cenário foram a dificuldade de retomada econômica pós-covid e a guerra na Ucrânia.


Entre as razões pelas quais situações como essa refletem, até com mais peso, nas startups, é que se tratam de empresas criadas em condições de extrema incerteza, partindo de uma ideia diferente, promissora e escalável.


Por conta dessas características, muitas não alcançam a maturidade suficiente para se manterem rentáveis em tempos de crise. Por muitas operarem em um modelo de queima de caixa, sem visar lucro, para escalarem as operações, em momentos em que não há previsão de novas entradas de capital externo, o rebalanceamento de orçamentos e indicadores como o breakeven* se tornam o foco principal, mesmo nunca tendo sido. *O breakeven é o momento de equilíbrio da empresa, quando custos e despesas operacionais se igualam à receita que entra.


Neste momento, você deve estar considerando que essa é uma boa justificativa para as demissões em massa nas startups iniciantes. Mas entre as já consolidadas, e até no patamar de unicórnio, por quais razões isso aconteceu?


Um dos motivos foi justamente a desaceleração dos investimentos que citamos logo no início deste artigo. Com as aplicações financeiras reduzidas, essas empresas viram a necessidade de realinhar seus planejamentos financeiros e, uma das medidas encontradas para isso foi enxugar o quadro de funcionários(as).


Aqui, entram também os outros fatores que já comentamos, que são a alta da inflação e dos juros, que modificaram os preços de vários bens e serviços, assim como o poder de compra e o apetite para risco de investidores, refletindo nas dinâmicas empresariais.


Dica de leitura: "Onboarding e offboarding: como desenvolver uma cultura de respeito da contratação ao desligamento"


O futuro das startups após esse período de demissões

Sobre o reflexo que as demissões em massa nas startups podem deixar, o primeiro passo para tentar identificar esse cenário é compreender que, sem entrar no mérito de toda a sensibilidade que este momento carrega, reduzir o quadro de funcionários para manter as operações é uma abordagem comum a diversos setores econômicos.


Fazendo um adendo quanto a isso, no caso das empresas com foco em tecnologia e inovação, o que chama a atenção é o fato de serem companhias que recebem investimentos na casa dos milhões, o que pode passar a falsa impressão de que esses modelos de negócio estariam imunes a situações como essas.


Entretanto, se considerarmos que fatores como a alta dos juros, a inflação global, a retomada econômica pós-pandemia, são comuns a todos os setores econômicos, fica mais fácil entender que não só as startups são passíveis de sofrerem impacto em seus crescimentos por demitir seus(suas) funcionários(as).


Em outras palavras, é possível dizer que o mesmo impacto negativo que as demissões em massa nas startups podem causar nessas empresas podem ser sentidos em outros modelos de negócio, e vice-versa.


Mas pensando em condições futuras, é preciso destacar que, segundo dados do Distrito, citados em uma matéria da Forbes, a expectativa é que até o final de 2022, as startups brasileiras recebam US$ 12,9 bilhões em aportes.


Mesmo que seja uma quantia bastante expressiva, ainda é inferior aos US$ 17.517 bilhões captados em 2021. No entanto, já é um indicativo de que este e o próximo ano podem voltar a ser promissores para as startups.


Afinal, mesmo passando por diversas crises, a América Latina tem um histórico comprovado de crescimento em venture capital. Como já falamos neste artigo, o capital não sumiu, ele está apenas mais restrito.


Não deixe de ler este artigo: "Os principais insights da pesquisa de investimentos em fintechs na América Latina da Movile"


Como deve ser a postura das startups até os investimentos retomarem?

Mas é preciso considerar que, até o volume de investimentos retornar, a adoção de algumas medidas para continuidade das operações das startups podem ser necessárias, sendo uma delas a redução e/ou contenção de gastos.


Nesse contexto, estão inseridos o remanejamento financeiro e a identificação de prioridades, a fim de direcionar os valores para campos que realmente ajudem a manter a empresa e, se possível, potencializar o seu crescimento mesmo em períodos de crise, como o atual.


Gustavo Galli, Diretor de FP&A e Relações com Investidores da Movile, em entrevista para o artigo "Desaceleração nos investimentos em startups: como superar essa fase de incertezas?", destacou que o momento que estamos vivendo é de cautela, visto que os investidores estão menos dispostos a injetar valores em empresas que estão em fase de crescimento, e mesmo empresas de grande porte do setor estão sentindo o reflexo disso nas bolsas.


Por isso, repensar as estratégias é tão importante para conseguir organizar as contas, bem como para suportar a pressão pela continuidade de crescimento do negócio.


Em resumo, as startups não estão livres da necessidade de reorganizar contas e buscar novas formas de crescimento. Entretanto, por lidarem com tecnologia e inovação, os investimentos tendem a sempre existir, contribuindo para que empresas desse modelo saiam de momentos de crise, por vezes, até mais facilmente que outras vertentes empresariais.


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Redação | Movile Orbit