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Como desdobramos o modelo de gestão do Grupo Movile para empresas com contextos tão diferentes?


Planejamento Estratégico 2019 do Grupo Movile


No último artigo desta trilha, falei sobre como o modelo de gestão é um dos alicerces que permite que, mesmo tendo alma de startup e passando por mudanças rápidas e frequentes, as empresas do Grupo Movile tenham também processos de gestão robustos que apoiam o nosso crescimento acelerado.


Como toda boa startup, o sonho grande que compartilhamos no Grupo Movile é ousado — impactar positivamente a vida de 1 bilhão de pessoas. Mas para sair do campo das ideias, esse sonho precisa ser traduzido em estratégias e metas palpáveis e que nos coloquem verdadeiramente no caminho desse impacto. E como ter certeza de que oito empresas com contextos tão diferentes estão neste caminho? Como tornamos o processo de construção desses objetivos participativo em um Grupo com mais de 4 mil pessoas em diferentes países?


Rituais de Planejamento Compartilhados


O primeiro passo é quebrar o sonho em metas e projetos menores. Isso acontece durante o Planejamento Estratégico — uma série de rituais unindo as lideranças e equipes da empresa. Partindo do sonho comum do Grupo, cada uma das unidades de negócio e seus times discutem visões e intenções estratégicas, ou seja, as principais aspirações para o novo ciclo que tornarão os objetivos de longo prazo mais próximos de serem concretizados.


Em seguida, as intenções estratégicas são desdobradas em objetivos, metas e projetos. Uma dica importante é não definir metas que já estão ao alcance da área/empresa para serem atingidas. Ter ousadia ao estabelecer desafios nos ajuda a sair da zona de conforto e é um dos pilares para que a inovação esteja no nosso dia a dia. É importante que a meta seja realista, mas que impulsione o desenvolvimento constante do time.


Além disso, fazemos uma priorização no modelo 80/20–20% das ações geram 80% dos resultados. Tão importante quanto definir as metas e seus responsáveis, é definir o que não será feito naquele ciclo — para uma startup, que geralmente sofre com a sobrecarga de iniciativas a serem executadas, isso é essencial para uma estratégia efetiva.


Nessa construção, usamos algumas ferramentas de gestão como:

  • Hits and Misses — uma reflexão dos pontos positivos e negativos do último ciclo;

  • Análise SWOT — para auxiliar na identificação de forças e fraquezas (ambiente interno) e oportunidades e ameaças (ambiente externo) que impactam no negócio;

  • E o Balanced Scorecard.

Outro pilar essencial é o alinhamento do que estamos buscando. Falamos disso no primeiro artigo. Nosso modelo de gestão prevê que nossas metas e respectivos responsáveis estejam claros e disponíveis para toda a empresa na plataforma em que compartilhamos.


Execução e Acompanhamento

Face the brutal facts


Planejamento pronto, hora de executar e acompanhar com disciplina os caminhos até os objetivos traçados. Nosso modelo de gestão prevê uma rotina mensal de avaliação dos resultados frente às metas, onde refletimos sobre fatores que possam colocar em risco resultados futuros, definimos contramedidas e realizamos replanejamento sempre que necessário. Para nós, é um momento de enfrentar verdades e fatos nus e crus, mesmo que seja dolorido — outro traço importante da nossa cultura e premissa do modelo de gestão.


No seu livro Good to Great (Empresas Feitas para Vencer, na sua edição brasileira), Jim Collins explica que somente encarando verdades brutais as mudanças produtivas acontecem e empresas evoluem de fato. Ele explora o Paradoxo de Stockdale, conceito com qual nos identificamos bastante na Movile. Resumidamente, ele diz que é preciso manter a fé inabalável de que podemos e vamos prevalecer no final, independentemente das dificuldades encontradas ao longo do caminho e, ao mesmo tempo, ter a disciplina para enfrentar os fatos mais brutais de sua realidade atual, sejam eles quais forem.


Nesse sentido, uma das nossas maiores forças é a agenda rigidamente cumprida de reunião mensal de resultados (RMR), com participação das lideranças de todas as empresas do Grupo, onde analisamos resultados, trocamos boas práticas e lições aprendidas e identificamos sinergias dentro do nosso ecossistema. Esses ciclos recorrentes de analisar fatos para entender problemas e suas causas raiz, reconhecer erros e incorporar aprendizados são fundamentais para mudarmos de patamar. Ter flexibilidade e, ao mesmo tempo, disciplina de replanejar e corrigir a rota, faz toda a diferença.


Conexão com Cultura e o Desenvolvimento do time


Finalmente, nosso modelo de gestão não foca apenas no que queremos conquistar e quais metas serão alcançadas. Não menos importante é a forma como entregamos resultados.


Nossos valores Gente FIRME refletem os comportamentos esperados e essenciais para conseguirmos atingir os nossos objetivos. A aderência cultural de cada pessoa e seu potencial de gerar impacto e acelerar o nosso sonho grande também são avaliados periodicamente. Junto com o atingimento de metas, existe a apuração de desempenho, que serve de insumo para nossas práticas de meritocracia.


Sim, meritocracia é um dos nossos valores e alavanca para atrairmos, formarmos e reconhecermos os melhores talentos. Importante ressaltar que a aplicação da meritocracia é diferente para cada pessoa, cada história e cada contexto. Isso não contradiz a diversidade que tanto buscamos na Movile e nos ambientes corporativos, do contrário, nos dá a responsabilidade de cuidar deste processo com cautela e empatia — temos a total certeza de que nosso maior ativo é nosso time e que alcançar o nosso sonho só é possível se conhecermos e respeitarmos a realidade de cada uma delas.


Temos empresas de mais de 2 mil pessoas até empresas de 60, algumas com produtos super estabelecidos no mercado e outras em processo de validação. Mesmo assim, os rituais compartilhados nos permitem crescer em conjunto e trocar boas práticas. Utilizamos esses pilares acima para desdobrar o modelo de gestão do Grupo seja qual for o contexto.


Mas como planejar em um ambiente de mudanças constantes, desencadeado ainda mais pelo cenário incerto que estamos enfrentando por causa da pandemia do Covid-19? O modelo de gestão não poderia ser engessado, mas precisava ser adaptado à realidade e à necessidade do negócio.


No terceiro e último artigo da trilha vamos falar sobre as adaptações que fizemos no modelo de gestão para que ele suportasse um momento de tanta incerteza como a pandemia.


Por Sarita Vollnhoffer