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Blockchain e creators: o futuro do conteúdo está na Web3?


blockchain e creators

A relação entre blockchain e creators está bastante condizente com o conceito de Web3. O termo foi cunhado em 2014 por Gavin Wood, cientista da computação inglês, e consiste na descentralização da internet, gerando uma cocriação de conteúdos entre marcas, consumidores e criadores.


Essa descentralização, por sua vez, só se tornou possível com o uso mais amplo da tecnologia blockchain, que deixou de ser aplicada apenas no mercado de criptomoedas e ganhou espaço (com inúmeros benefícios) em diferentes setores, tais como a aplicação da blockchain na logística.


Pontualmente falando sobre a criação de conteúdo para internet, a blockchain chega como um recurso que ajuda na estruturação de uma monetização considerada mais justa para artistas e influencers.


Por exemplo, se hoje plataformas como o Spotify tem 90% da sua receita distribuídas para somente 0,8% dos(as) principais artistas, a relação entre blockchain e creators ajuda a modificar esse cenário, permitindo que esses(as) tenham ownership sobre suas criações, elevando o potencial de remuneração que pode ser obtida por meio desse aplicativo e de outros semelhantes.


Ou seja, a blockchain aplicada à criação de conteúdo na Web3 não altera seus formatos, mas, sim, a maneira como empresas, artistas e influencers capitalizam sobre ele.


Relação blockchain e creators

A relação entre blockchain e creators nasce da busca por uma distribuição de valores mais justa entre os(as) participantes desse mercado. Isso acontece porque, se por um lado há quem ganhe milhões de dólares com vídeos para o YouTube, por outro há quem não tenha conseguido nenhuma remuneração, ainda que tenha talento e conteúdos de qualidade.


Para se ter uma ideia dessa discrepância, uma reportagem da Forbes revelou que a quantia obtida pelo atual número 1 do YouTube, um jovem de 23 anos conhecido como MrBeast, foi de US$ 54 milhões em 2021.


Entretanto, uma matéria do portal Fast Company trouxe dados de uma pesquisa que revelou que 96,5% dos(as) youtubers dos Estados Unidos ganham abaixo da linha da pobreza com a produção de vídeos para essa plataforma.


A aplicação da blockchain na Web3 está sendo vista como um dos melhores caminhos para reduzir essa diferenciação de renda que pode ser obtida por meio de um mesmo canal.


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Blockchain e a criação de conteúdo digital

Blockchain é uma rede descentralizada que registra diferentes tipos de transações. Por conta disso, ela é considerada como um livro-razão público, o qual é protegido por criptografia.


Por ter essa característica de descentralização, essa tecnologia é usada como livro digital para diferentes tipos de negociações, comumente financeiras, sem a necessidade de intermediários, a exemplo de bancos ou mesmo órgãos regulamentadores.


Isso significa que qualquer pessoa ou empresa pode usar uma rede blockchain para realizar, acompanhar e monitorar transações monetárias, sem a influência ou permissão de terceiros.


Trazendo tudo isso para o conceito blockchain e creators, esse recurso tem como vantagens para os criadores:

  • elevar a proteção contra plágio ou roubo de propriedade intelectual;

  • impedir a remoção dos conteúdos já publicados;

  • estabelecer um novo formato de remuneração;

  • gerar mais controle sobre o retorno financeiro que pode ser obtido.

Elevar a proteção contra plágio ou roubo de propriedade intelectual

Tudo o que é inserido em uma rede blockchain recebe um registro de data e hora. Desse modo, ainda que futuramente alguém alegue propriedade sobre determinada criação, é possível confirmar a sua autenticidade e autoria.


Impedir a remoção dos conteúdos já publicados

Pela mesma razão que acabamos de mencionar, o que é registrado em uma rede blockchain não pode ser excluído, nem mesmo por quem criou. Por conta dessa característica, plataformas de conteúdo baseadas em blockchain terão dificuldades em excluir, censurar ou remover o que já foi postado.


Estabelecer um novo formato de remuneração

Alinhado ao mercado de criptomoedas, as plataformas de conteúdo blockchain abrem as portas para um novo formato de remuneração, que é o pagamento via tokens, que são um tipo de moeda digital.


Nesse cenário, a rentabilidade pode ter como base o número de cliques, curtidas e/ou visualizações, dependendo do formato do conteúdo, e não apenas sobre propagandas ou mídias pagas. Além disso, o pagamento pode ser feito por uma moeda nativa da plataforma.


Gerar maior controle sobre o retorno financeiro que pode ser obtido

Outra grande vantagem da relação blockchain e creators é que, além do gerenciamento de direitos autorais e licenças ser feito de uma forma muito mais fácil e menos burocrática, os(as) criadores(as) também conseguem rastrear melhor seus conteúdos.


Isso dá a chance de verificarem em quais fontes estão sendo expostos e, dessa forma, cobrar pelo uso, bem como distribuir melhor os trabalhos, tendo mais controle sobre eles. Em outras palavras, trata-se de monetizar o trabalho com muito mais eficiência.


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Desafios para plataformas que não trabalham dessa forma

Assim como dissemos logo na abertura deste artigo, a tecnologia blockchain está sendo usada para o desenvolvimento de diversas soluções para os mais distintos setores econômicos.


A aplicação desse recurso na Web3 chama a atenção para as vantagens que podem ser geradas a partir de plataformas de conteúdos descentralizadas, levando à percepção de que, aquelas que não se adequarem a esse novo cenário, podem perder receita.


Essa tendência se deve ao fato que, com a blockchain, os conteúdos consumidos podem ser pagos diretamente dos usuários para os criadores, sem que seja preciso intermediários ou dividir faturamento.


Essa condição muda bastante as "regras desse jogo", levando à necessidade de as plataformas centralizadoras alterarem suas formas de atuação, condições e diretrizes.


Por exemplo, o uso de contratos inteligentes, que é um recurso característico das redes blockchain, podem servir de ferramenta para registrar o fluxo de capital que pode ser obtido com a criação de conteúdos para a internet, tornando esse processo mais transparente.


Considerando que os smart contracts, como também podem ser chamados, são autoexecutáveis, não há o risco de haver ruptura ou quebra de acordo por qualquer uma das partes envolvidas.


Entretanto, vale considerar que, apesar da relação blockchain e creators trazer bem mais vantagens para quem cria, é preciso considerar que essas pessoas precisam do poder das marcas para crescerem.


Assim, uma forma de mitigar possíveis perdas para os(as) envolvidos(as) em acordos desse tipo, é alinhar o engajamento proporcionado pelo(a) criador(a) do conteúdo ao nível de reconhecimento que a empresa/plataforma/marca tem.


Todos esses pontos levam à democratização da internet, devido a blockchain ser descentralizada e de não pertencer a nenhuma entidade em especial.


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Redação | Movile Orbit