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Aplicar Inteligência Artificial em Finanças é mais natural do que parece



Quem me conhece sabe que acredito muito no potencial de tornar a área financeira ainda mais estratégica, com uso de mais tecnologia do que vemos hoje. Dentro da Movile, especificamente, temos um ecossistema amplo, que permite uma aplicação geral da Inteligência Artificial (IA) em cada negócio e em cada área. É um universo enorme a ser explorado, no qual estamos investindo fortemente. E quando menciono as aplicações de IA em finanças, o que mais escuto são as teorias de que os robôs vão dominar tudo que conhecemos e não sobrarão empregos.

O IFTF (Institute For The Future) fez um estudo intitulado “Projetando 2030: uma visão dividida do futuro”, que analisou como a integração entre o trabalho de máquinas e humanos afetaria o futuro, em especial as profissões. Descobriram que aproximadamente 85% das profissões de 2030 ainda nem existem. Ou seja, isso não significa que as pessoas estão sendo substituídas, mas a maneira com que trabalham será reinventada.

Minha leitura é de que isso vem da capacidade da tecnologia de redesenhar nossos processos e otimizar o trabalho, criando novas necessidades. É exatamente aí que entendo que finanças pode ser encaixada. Não estamos falando de substituição de pessoas, mas de evitar erros, aumentar a velocidade com que dados se transformam em informação e dar mais segurança a alguns processos.



Gosto muito de mostrar essa imagem quando falo do assunto com as pessoas, sobre o potencial de automação de certos serviços. Se você olhar bem, os analistas financeiros estão em um nível de pouca possibilidade de automação. Esses profissionais serão, sim, muito afetados por todas essas mudanças — que foram inclusive tão aceleradas pela pandemia — mas gestão financeira exige capacidade de julgamento, resolução de problemas, criatividade, flexibilidade e, principalmente, alta interação humana.

Acho que um ponto importante é que, quando falo de inteligência artificial, isso parece uma realidade distante, por ser cara ou difícil de implementar. Bem, ela não é se você fizer a lição de casa de organizar seus dados — o que espero que seja realidade se você for da área de finanças, pois o ERP faz isso: organiza dados e os disponibiliza em um banco de dados acessível.

Ao implementar um sistema de controle financeiro na sua empresa, a demanda mais clássica de qualquer empresário, já existe ali um trabalho com dados organizados, para que este funcione. Inteligência artificial parte do mesmo princípio: como seus dados estão organizados, os algoritmos farão, em segundos, os trabalhos que aos olhos de um humano poderiam levar horas ou dias. Não está tão longe quanto parece!

Além disso, se esboçarmos uma pirâmide de prioridades em gestão financeira, teríamos:

(I) na base, todos os processos que são operacionais e repetitivos, que não temos como fugir, como por exemplo: conciliação bancária, lançamentos de notas fiscais, leituras de documentos em PDF para criação de ordens de compra e reembolsos de despesas de viagens, entre outros;

(II) no meio, conforme vamos subindo, entram relatórios, demonstrativos e processos que já dependem um pouco mais de análise e julgamento;

(III) e por fim, teríamos o nível gerencial, com alta tomada de decisão e interferência.


O seu primeiro passo com a inteligência artificial deve ser o de atuar exatamente na base, automatizando o que é repetitivo. Por ser uma máquina com capacidade de aprender e replicar, conseguimos reduzir muito os erros do processo e, consequentemente, fornecer informações bem mais precisas e em tempo real. Tiramos as pessoas de trabalhos que não as desafiam e as colocamos numa posição de maior visão sistêmica, autonomia e decisão.

Isso é olhar para o futuro e eu sei que exige coragem. O desconforto de ter que se reinventar enquanto profissional (tanto em hard skills como em soft skills) pode paralisar. As barreiras culturais para implementar tecnologia e mudar o status quo podem ser exaustivas, dependendo da empresa em que você está.

Você pode argumentar pelo lado óbvio — a empresa ganha em eficiência e segurança. Mas cá entre nós? Pelo que temos feito aqui, acredito que transformar a área de finanças e prepará-la para o futuro vai além. Deixamos de ser uma área de suporte e passamos a influenciar a estratégia do negócio, porque aportamos capital para que ele se torne propósito e mova negócios e pessoas.

Gostaria muito de ouvir o que mais vocês querem saber sobre esse tema aqui nos comentários. Vamos conversar!



 

Aury Ronan Francisco foi Diretor Financeiro do Grupo Movile